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08/11/16

Animes mais curtos e sem segunda temporada. Por quê?




Esse post é uma tradução completa do artigo original do site GoBoiano

É uma questão bem interessante. Existem motivos para encurtar animes? Sim! Há alguns motivos, incluindo o dinheiro.

Dinheiro na indústria de anime
Recessão Econômica

Eu sei, eu sei. Economia pode ser algo bem tedioso, então vou tentar ser o mais breve possível. Uma recessão basicamente significa que o mercado está "encolhendo". Pessoas não estão comprando coisas como de costume e os negócios não estão investindo em novos produtos e serviços. Se não há dinheiro circulando na economia, não existem motivos para que os negócios criem novos produtos, pessoas perdem seus empregos e o resto tenta economizar ou cortar despesas desnecessárias.


Alguns economistas argumentam que o Japão vive uma recessão desde os anos 90, e apenas agora estão começando a sair do buraco.

Queda da Taxa de Natalidade

O Japão vive uma crise populacional. Em junho de 2015, a taxa de natalidade teve o menor recorde de 1,26 filhos por mulher. O governo japonês estima que a taxa de natalidade deva ser pelo menos 2,07 para manter o nível populacional de hoje. 

(Tá faltando essas gracinhas nas terras nipônicas)

Isso significa que o Japão é um país em envelhecimento. A força de trabalho está rapidamente ficando mais velha e pronta para se aposentar. Quando as pessoas envelhecem, elas tendem a ter menos renda disponível para gastar com o que quiserem, além de seus gostos e lazeres mudarem. 

O Japão já tentou de diversas maneiras encorajar as pessoas a engravidarem, mas sem sucesso. Alguns países "resolvem" esse problema ao facilitarem a imigração, aceitando estrangeiros que possam contribuir com a mão-de-obra local, mas o Japão não é muito fã dessa ideia, preferindo se manter uma sociedade "homogênea".

Como isso afeta a indústria de Anime?

Agora que cobrimos a base, vamos falar como isso afeta a indústria.

A recessão e a diminuição da taxa de natalidade afetam animes de duas maneiras.

  • Os comitês de produção de Animes e estúdios ficam inseguros em investir em séries de longo prazo.
  • A maioria das séries mais longas tinham crianças e adolescentes como público alvo.

Longo prazo ou curto prazo?

Estúdios precisam de dinheiro para fazerem animes. Bem óbvio, não? Então, quando um comitê de produção se reúne para produzir um anime, eles fazem algumas perguntas.

  • Quem é o público alvo?
  • O quão popular é o trabalho original que o anime está adaptando? O quão popular essa nova criação pode se tornar?
  • Quanto o anime irá custar?
  • Como lucraremos com ele?


Agora, tenha em mente que animes eram, geralmente, mais baratos de se produzirem nos anos 80 e início dos 90, pois era uma época em que a economia do Japão estava em alta. 

É mais barato e menos arriscado investir em um anime mais curto. Se você estiver orçando para uma série de 100 episódios e já fechou todos os negócios necessários para a produção, você ficará preso a fazer os 100 episódios, a não ser que você consiga diminuir seus prejuízos e cancelar o projeto. Se a série não popularizar ou não fizer dinheiro suficiente com merchandising (falarei mais disso em breve), você estará ferrado.

Mas e a popularidade da série? Adaptar um mangá já popular pode ser mais vantajoso do que criar uma série original.

Vamos voltar a época daqueles animes épicos de 100+ episódios. Yu Yu Hakusho, Ranma 1/2, Sailor Moon e Dragon Ball Z foram séries de mangá extremamente populares antes de serem adaptados. Por exemplo, Yu Yu Hakusho foi um dos mangás mais bem vendidos de Shueisha antes do anime ser feito. Ter uma grande audiência já de base torna menos perigoso arriscar em uma série de longo prazo.

Exemplos mais modernos seriam Naruto, One Piece, Ace of Diamond e Fairy Tail. Os mangás são tão populares que fazem com que os comitês fiquem tranquilos ao investirem em um número grande de episódios. 

(A 1ª Temporada de Ace of Diamond possui 75 episódios. A segunda temporada, atualmente em transmissão, já conta com 20 episódios)

Vale a pena ressaltar que a Weekly Shonen Jump, que é a revista de mangás mais popular no Japão, tem perdido assinantes desde o início dos anos 2000.

Mudança nos Dados Demográficos

Dê uma olhada em algumas séries mais longas e você perceberá que elas são geralmente shounen ou shoujo. Esses animes visam pré adolescentes e meninos e meninas mais jovens. Por quê? Porque eles possuem mais tempo livre e dinheiro para gastarem com o que quiserem em comparação a adultos.

Não é segredo que o Japão possui uma forte cultura de dedicação ao trabalho, então é complicado que um adulto empregado consiga acompanhar sem problemas um anime enquanto lida com suas responsabilidades. Não é impossível, mas desafiante. 

Animes populares como Yu Yu Hakusho e Sailor Moon foram transmitidos após o horário escolar ou em domingos (o único dia de folga na semana escolar japonesa, excluindo feriados). Transmitir nesses horários geralmente maximiza a audiência. Dê uma olhada nos horários de transmissão dos animes, e você conseguirá ter uma ideia de quem são seus públicos alvo.

A população que trabalha não é tão previsível quanto estudantes. Pessoas possuem turnos de e horários de trabalho diferentes, além dos dias de folgas também. Então como contornar esse problema? Você não pode contar que as pessoas gravem todos os seus shows, é muito arriscado.

Já que o Japão possui uma taxa de natalidade em queda, existem menos jovens a cada ano que passa para a indústria aproveitar. Por isso não é segredo a indústria moderna estar focando em otakus. Deixando opiniões pessoais de lado, animes que dependem basicamente do "moe" e "fanservice" tendem a serem rotuladas como conteúdo otaku. 

Essas séries são transmitidas em horários mais noturnos durante os dias da semana, também conhecido como o "Horário Otaku". O público alvo é pequeno, mas é muito mais confiável do que o de adultos que trabalham, além de serem um público mais lucrativo do que pré adolescentes e jovens. 

Merchandising

Crianças são fáceis de se entreter. Isso não é algo ruim. Compre para uma criança um boneco barato, uma mochila de seu personagem favorito, uma lancheira, ou qualquer coisa do tipo e eles ficarão felizes. Esses produtos baratos de se produzirem são uma ótima forma de retorno financeiro para muitas franquias. Por que outro motivo séries e desenhos aceitam parcerias com fast-foods como McDonalds?

O problema é que um público mais velho não quer mochilas ou lancheiras. Em vez de um boneco de plástico barato, a audiência otaku quer uma figure com mais qualidade. Esses custam mais para serem feitos e é refletido no preço final.

Outros produtos são limitados a alguns gostos. Dakimakuras e mousepads de peitos não vão ser estocados em massa por varejistas. E nem todo fã vai querer um dakimakura de seu personagem.

Produtores compensam esse mercado limitado com preços altos. Se você não pode ter milhares de crianças comprando camisetas e lancheiras baratas, as empresas compensam se apoiando em poucos otakus comprando figures e dakimakuras extremamente mais caros. 

Não é a melhor forma de monetização que os comitês de produção possuem, mas é o que eles tem para trabalhar. No fim das contas, ninguém sai ganhando com esse modelo de negócio, nem os produtores, nem os fãs que pagam demais.

Diferentes Fontes de Inspiração

O sucesso de Suzumiya Haruhi no Yuutsu em 2006 é a prova de que adaptações de Light Novels podem se tornar um sucesso na indústria, se feitas corretamente.

Infelizmente, light novels não são como mangás. Esses livros tendem a ter mais exposições e construção de background do que o mangá. Por ser algo não que não depende de ilustrações como o mangá, estúdios que adaptam light novels precisam passar por um longo processo de afunilamento, decidindo o que é necessário manter ou não no anime. Lembre-se que a maioria desses estúdios estão acostumados a adaptarem de um mangá, então light novels se tornam um desafio para eles.

Os motivos para um anime ser feito

A maioria dos animes é uma espécie de adaptação. Dependendo do comitê de produção, eles podem tratar o anime como um tipo de comercial para a fonte original.

Mesmo as séries longas não estão isentas de serem tratadas assim. Katekyo Hitman Reborn! foi cancelado após 203 episódios e um OVA pois Shueisha não percebeu um aumento nas vendas do mangá para a continuação do anime.

Vários comitês possuem uma prática similar ao que estúdios americanos chamam de "front 13, back 9". Basicamente, 13 episódios de uma série são pedidos. Se for um sucesso, os últimos 9 episódios que são necessários para uma temporada serão feitos dessa forma. Caso contrário, será criado um ponto final no 13º episódio e garantir que não haja nenhum buraco na história.

(Chihayafuru é um exemplo raro de um anime com poucas vendas que recebeu uma segunda temporada, devido ao aumento de vendas do mangá. Um total de 50 episódios e uma OVA foram feitos.)

Para um anime, um "cour" (algo entre 10-14 episódios) é pedido. Depois disso, uma combinação de audiência, vendas iniciais de Blu-Ray e DVD e outras fontes materiais de venda determinarão se outro "cour" será pedido.

Hidamari Sketch é um ótimo exemplo moderno. Essencialmente, foram quatro "cours" pedidos em um tempo de 5 anos para produzirem 49 episódios e 12 OVA's. 61 episódios no total, mas todos eles foram produzidos em um ambiente mais cauteloso e não pedidos todos de uma vez. Esse é o modelo de produção que a indústria tem adotado.

Se você viu algum anime que terminou entre 10 a 26 episódios, há grandes chances que ou eles não tenham conseguido bons números de vendas, ou não há fonte original suficiente para continuar.

Séries totalmente originais de anime ficam entre 10-26 episódios, mas como elas foram escritas para caber nesse espaço, a história se encaixa melhor do que uma adaptada.

TL;DR

O que acontece é que a combinação de uma recessão econômica japonesa somada ao declínio da taxa de natalidade forçou a indústria de animes a alterarem a forma de trabalharem. Anime não é mais barato de se fazer e não há tanta criança para comprar os produtos mais baratos e lucrativos.

Esse é o motivo para indústria moderna ser tão cautelosa ao decidir produzir animes de longo prazo.

Fonte

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