Legado de 10 anos de Lucky Star

Legado de 10 anos de Lucky Star




Artigo publicado originalmente em 25/01/2017

Um jeito muito fácil de nós, jovens adultos e fãs de animes, nos sentirmos velhos é se lembrar de que a primeira temporada de Suzumiya Haruhi no Yuuutsu completou uma década de existência nesse ano de 2016 que passou, e nesse ano de 2017 o seu irmão de estúdio, Lucky Star, atingirá essa mesma marca. O lançamento de Suzumiya Haruhi no Yuuutsu é um marco na história da indústria de animes, em especial, para o estúdio da Kyoto Animation. O sucesso do título foi responsável pela criação e estabelecimento de uma cultura dos fãs de animes além de garantir o nome "KyoAni" como um dos mais lembrados por qualquer fã casual ou hardcore. Mais do que isso, esses dois títulos foram lançamentos cruciais para, o que eu gosto de chamar, a terceira onda de popularização dos animes no ocidente. 

Konata Lucky Star
A KyoAni, que não é burra nem nada, viu a grande oportunidade de capitalização em Haruhi, e transformou um mangá de comédia do autor, Yoshimizu Kagami, em outro grande sucesso, que até hoje impacta a indústria: Lucky Star.

A primeira vista, Lucky Star passa como uma simples série de comédia slice-of-life, que acompanha um grupo de amigas no seu dia a dia da escola e fora dela. Mas muito mais do que isso, Lucky Star faz uma abordagem aos otakus do século 21 e seus hábitos, personificados na personagem Izumi Konata. Ao contrário do que hoje é muito retratado em diversas mídias, Lucky Star preza o "poder" otaku e suas peculiaridades, exaltando o que, outrora, era um motivo de honra e orgulho. Pouco tempo atrás, o rótulo de otaku não era algo necessariamente ruim ou tão mal associado, e Lucky Star é a representação desses tempos, aliás, Konata é o "modelo" de personagem otaku, reverenciada como uma Deusa dessa comunidade. Alegre, amigável e nada envergonhada de seus hobbies, realmente um reflexo do que a comunidade otaku se auto proclamava.

Konata Lucky Star
Lucky Star tinha um público alvo bem definido, e não precisa ser um gênio para ver isso. Konata tem a mesma dubladora que Haruhi, a talentosíssima Hirano Aya. Essa foi apenas uma das "homenagens" ao título de sucesso da KyoAni. Durante o anime, inúmeras referências a Haruhi são citadas, desde cosplay das próprias personagens, frases, programas na TV, e aonde mais for possível. Shiraishi Minoru (dublador de Taniguchi em Haruhi) também faz presença nesse show.

Não gosto de citar Lucky Star como uma paródia, porque ele não cita necessariamente ou faz homenagem a cenas vistas em outros animes de uma forma tão direta, tudo é citado e colocado no ponto de vista que um otaku tem sobre seus hobbies. Ao longo do anime vemos shows na televisão fazendo referências a séries já conhecidas. Acompanhamos o dia a dia na vida de um otaku e seus "problemas", sejam eles com o vício em jogos ou mangás, tudo obviamente representado por Konata.
Konata Lucky Star
Acompanhar Lucky Star não é uma tarefa fácil, mas definitivamente recompensadora caso consiga. O gênero slice-of-life não agrada a uma boa parte do público e o ritmo do anime é bem lento. Conheço muitas pessoas que droparam o anime com 10 minutos do primeiro episódio, mas fazer isso é um grande desserviço com essa obra. No geral, Lucky Star representa bem um grupo de garotas do ensino médio que possuem dúvidas e conversas de... um grupo de garotas no ensino médio. Mas o bônus dessa série de comédia é justamente as inúmeras referências a comunidade e o modo de vida otaku, o que todos nós podemos nos relacionar, ao menos um pouco.

A série foi responsável por dar o chute inicial nas adaptações de "four-panel manga", como por exemplo, K-On!!. Lucky Star trouxe uma nova era de shows que se baseiam e se apoiam na comunidade otaku, e acima de tudo, mostrou o poder que o "moe" pode ter em personagens e animes. Todos esses elementos, de slice-of-life, referências, otaku e moe são grandes pilares da indústria até hoje. Por conta de toda essa "cultura" construída em cima de Haruhi e Lucky Star, que foi possível ter um grande aumento nas vendas e merchandising nesses produtos otaku. E até mesmo em títulos como esses de 10 anos de existência, é possível encontrar produtos e figures em fabricação.

Kagami e Konata figures
Já  com quase 10 anos nas costas, Lucky Star continua uma ótima série de comédia, no qual eu pago meu respeito revisitando-a sempre que posso. É um anime que envelheceu bem, mantendo um traço simples e fácil de visualizar, com piadas e situações que remetem até mesmo aos dias de hoje. Infelizmente, para os novos fãs e os mais jovens, muito de Lucky Star não vai ser aproveitado por conta de suas inúmeras piadas e referências a animes antigos que muitos não conhecem ou não tiveram a oportunidade de assistir. Independente disso, Konata e as demais entregam minutos satisfatórios de risadas e fofura contagiante. É estranho pensar que um anime de comédia slice-of-life tenha influenciado tanto a indústria e seus sucessores, mas dê uma olhada no que é a indústria e a cultura otaku hoje, e talvez você enxergue melhor o quanto Lucky Star foi responsável por tudo isso. É verdade que por conta de seu estilo e referências, Lucky Star não pode ser chamado de um anime atemporal. A cada ano que passa ele perde um pouco do seu impacto. Mas sem dúvida, Lucky Star merece estar no pedestal de animes influenciadores, cuja a personagem conseguiu capturar o ápice dos hábitos e cultura dos fãs de animes dos anos 2000, que jamais será o mesmo novamente.

Konata Haruhi Lucky Star Suzumiya Haruhi no Yuutsu

Observação: Por mais que você não conheça muitos animes antes de 2006, eu sugiro fortemente a dar uma chance a Lucky Star. São inúmeras referências, que não importa a idade e seu grau de otakisse, você vai reconhecer muitos e se divertir com eles.

0 comentários:

Postar um comentário