Assédio Sexual em trens no Japão




De vez em quando vemos em animes (mais recentemente em Kuzo no Honkai) cenas de assédio sexual em trens no Japão. O cenário é sempre o mesmo, trens lotados, a garota indefesa, e um cara nojento e asqueroso tentando tirar vantagem da situação pra "apalpar" (groping) ou fazer coisas ainda piores.

Será que isso é mesmo um problema no Japão? E por que as garotas ficam intimidadas e não se pronunciam ou atacam seus abusadores?


Infelizmente, assédio sexual em trens é um problema sério e recorrente no Japão, especialmente em Tóquio. Assim como em qualquer outra grande cidade, nos horários de pico, é quase impossível conseguir se mexer nos trens devido a superlotação. Provavelmente, por haver um número muito grande de pessoas, esses abusadores acabam se sentindo seguros por estarem no anonimato. Além disso, muitas vezes é difícil da própria vítima conseguir se virar pra ver o que está acontecendo... imagina então tentar se defender.


Se você nunca sofreu qualquer tipo de abuso sexual, é provável que o seguinte pensamento passe na sua cabeça "Por que ela simplesmente não grita ou faz algo do tipo?". Acontece que muitas vítimas ficam completamente impotentes ou horrorizadas para conseguir fazer algo, ainda mais no momento em que está acontecendo. 


Com pesquisas, é possível traçar a origem desses problemas no meio dos anos 90, e se espalhou tão rapidamente que o Japão precisou colocar policiais à paisana em trens além de outras medidas como campanhas publicitárias encorajando mulheres a levantarem as mãos e gritarem "chikan!" caso sofram algum abuso. Por incrível que pareça, mais ou menos 4 mil pessoas são presas por assédio sexual todo ano... e isso são somente os que são pegos... O problema por lá é tão grave que a polêmica de vagões exclusivos para mulheres sequer é algo discutível, como é no nosso país. No Japão, nem se questiona a importância/necessidade desses vagões, são essenciais para as japonesas.

Você percebe a severidade da situação quando pesquisas apontam números mais assustadores. Uma escola de Ensino Médio fez um pesquisa em 2001 e apontou que mais de 70% de suas estudantes já haviam sofrido algum tipo de assédio nos trens. Já um estudo mais recente de empresas mostraram que pelo menos 17% de suas funcionárias haviam sofrido algo do tipo. É de conhecimento geral que muitas mulheres já sofreram esse tipo de experiência, e não apenas as japonesas, mas estrangeiras e turistas também. É possível ver placas em todos os lugares com alertas de "Cuidado com chikan!". Além disso, há outros tipos de abusos como tentar tirar fotos por debaixo de saias, cortar saia das mulheres, cortar cabelo, e em casos extremos, o próprio estupro.


Todo esse cenário de assédio é ainda mais bizarro quando se pensa no tipo de "fetiche" que isso se transformou por lá, com vários grupos de molestadores se encontrando online e pessoalmente para compartilhar histórias, fotos, dicas, etc.

Atualmente esse tipo de crime é levado a sério e com punição de multas e até 10 anos de cadeia. Mas esse tipo de problema acarreta não só traumas para as vítimas, mas para outras pessoas inocentes, onde já houve histórias de homens acusados erroneamente.

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