Como funciona de verdade a Indústria de Anime? Mais dinheiro melhor equipe?


Nessa terceira parte da série, iremos analisar melhor o mito que se circula entre os fãs de anime, de que se o estúdio tem dinheiro, eles podem contratar uma equipe melhor.

Porém, não é bem assim.


Assim como explicamos antes, a indústria de anime é bem única porque permite que animadores se expressem e experimentem de forma individual os seus próprios estilos, o que acaba gerando uma diversidade de talentos e formas de se trabalhar. Mas com isso, também se cria uma diferença óbvia entre animadores experientes e inexperientes. O que vale ressaltar, é que independente da diferença entre os talentos e experiências, os animadores ganham praticamente o mesmo.

O motivo para isso é que a indústria de anime depende fortemente de freelancers. Há vários animadores que trabalham de casa e assinam um contrato com algum estúdio, mas também há vários animadores que escolhem serem freelancers porque proporciona mais liberdade para eles escolherem os projetos que querem fazer. Até uma obra ser escrita, o único estúdio que usa inteiramente equipes que trabalham de casa (diretores, animadores, etc) em seus projetos é a Kyoto Animation. Fora a KyoAni, outros estúdios geralmente dependem de freelancers.

Isso nos leva a pergunta: "Será que freelancers recebem o mesmo que as equipes que trabalham de casa?". Não. O salário dos freelancers são decidido com base na quantidade de trabalho que eles entregam, independente da dificuldade ou qualidade exigida.


Thomas Romain, designer, explica como funciona em um de seus tweets.

"As condições de trabalho dos animadores no Japão são bem duras. Se paga apenas 40-50 dólares por 1 "corte" (ou cena) de uma série normal de TV."

Não importa se o animador é veterano ou iniciante, todos são pagos de acordo com o número de cenas que eles fazem. Esse sistema orientado por quantidade motiva os animadores a fazerem seu trabalho o melhor possível para ganhar confiança e oportunidade de trabalhar em projetos futuros.

Então não é algo fácil contratar um animador veterano com a promessa de grandes salários. Primeiro que o número desses veteranos não é proporcional ao número de animes produzidos por temporada. Isso faz com que eles tenham uma agenda lotada. Veja Toshiyuki Inoue, também conhecido como o "animador perfeito". Sua agenda é tão lotada que os estúdios que o quiserem precisam entrar em contato com ele com um ano de antecedência. Frequentemente os animadores precisam recusar ofertas por conta de suas agendas.


Segundo, trabalhar nessa indústria depende muito de alguns "contatos". Diretores geralmente preferem trabalhar com que eles se sentem confortáveis, especialmente quando são perfeccionistas como Hayao Miyazaki. O mesmo vale para animadores e diretores de animação. Dinheiro não é sempre o único motivador para atraí-los. Em alguns casos, eles se envolvem em um projeto porque conhecem outras pessoas que também estão envolvidas, ou porque é interessante para eles.

Podemos citar exemplos de Toshiyuke Inoue e Kenji Horikawa; Yasuhiro Takemoto e Shouji Gatoh.

Toshiyuki Inoue é conhecido por ter sua agenda lotada e por se especializar em projetos mais cinematográficos e teatrais. Mas apesar disso, por conta de sua amizade com um dos grandões da P.A. Works, Kenji Horikawa, ele abriu exceções e se dispôs a trabalhar em duas séries do estúdio: Uchouten Kazoku e Shirobako.

Outro bom exemplo é com o escritor Shouji Gatoh, autor da série Amagi Brilliant Park. Quando ele queria uma adaptação para anime, pediu ajuda de seu amigo e diretor da Kyoto Animation, Yasuhiro Takemoto. Takemoto já havia trabalhando junto com Gatoh em Full Metal Panic: The Second Raid, e desde então se tornaram grandes amigos. O problema é que, na época que ele pediu essa ajuda, a KyoAni estava mais focada em adaptar light novels publicadas sob sua própria marca (KA Esuma Bunko) do que adaptar de outras empresas (no caso Amagi é publicada pela Kadokawa). E mesmo considerando que adaptar uma novel da Kadokawa seria menos lucrativo do que adaptar um da própria KyoAni, Takemoto aceitou o pedido de Gatoh em respeito a amizade que eles tem, e não pelo dinheiro.


Pode parecer um pouco absurdo que essas coisas aconteçam em qualquer indústria, onde geralmente as coisas são decididas pelo dinheiro. Mas na indústria de anime, apesar da grande importância do dinheiro, o poder dos relacionamentos e conexões com outros podem ter um fator mais decisivo.

Além dos relacionamentos, a preferência do animador também possui uma parte importante na hora de decidir aceitar um trabalho, ainda mais considerado o caráter genioso que vários animadores possuem.

Fiquem ligados para a próxima parte.

Texto Original por Yoza Widi.
Traduzido e Adaptado para a Você Sabia Anime?

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