Como funciona de verdade a Indústria de Anime? Entenda todo o processo PARTE 1

Como funciona de verdade a Indústria de Anime? Entenda todo o processo PARTE 1

Parte 1: Introdução

A indústria de anime não é tão transparente no seus processos. Mesmo com um anime como Shirobako, que mostra o dia a dia na vida dessa indústria, vídeos, artigos e depoimento de pessoas por trás desse trabalho, ainda há muitas dúvidas e incertezas sobre como é uma produção de anime.

Por conta disso, nós fãs de animes, só podemos especular e imaginar como as coisas realmente funcionam. A ideia desse artigo é mostrar os maiores equívocos que as pessoas tem a respeito da indústria, mitos, e entender melhor os fatores que influenciam na criação de um anime.

Nessa série, que iremos dividir em 6 partes, vamos explicar detalhadamente todos os fatores que influenciam ou são decisivos nesse processo complexo de criação de anime.

Antes de começarmos, precisamos entender algumas coisas básicas. Veja a figura a seguir que demonstra o fluxograma simples da indústria moderna.

Como funciona de verdade a Indústria de Anime? Entenda todo o processo PARTE 1

A figura acima é uma ilustração simples da estrutura hierárquica do processo de criação de um anime. Como já não deve ser segredo, o estúdio de anime é financiado ou contratado por um comitê de produção. 

O que é um comitê de produção? Ele é formado por empresas de mídia para reduzir os riscos nas produções de anime. Empresas como Aniplex, Kadokawa, Bandai, Sony e outras geralmente "determinam" quais animes serão feitos. Mas mesmo para essas grandes empresas, os riscos de produção são muito altíssimos pois envolvem muito dinheiro e investimento. Por isso é criado esse comitê para minimizar os riscos e dividir as despesas com outras empresas que também tem interesse nessa indústria.

O Comitê decide o orçamento, prazo e qual estúdio produzirá o anime, além de outras coisas relacionadas ao marketing. 

Por eles financiarem a produção de anime, muitos enxergam esses comitês como "patrocinadores", mas essa é uma ideia errada. Patrocinadores são aqueles que ajudam no financiamento ou de outra forma no projeto, mas não estão envolvidos no processo de criação. Já os comitês estão diretamente envolvidos na produção e criação, além de terem autoridade sobre eles. Pessoas envolvidas nesses comitês são o que chamamos de "produtores".

Vale ressaltar que nem todo anime depende de um comitê de produção para um projeto. Alguns estúdios possuem sua própria estrutura de produção como I.G ou Kyoto Animation. A KyoAni por exemplo, fez vários animes adaptados de Light Novels e publicaram sobre sua própria marca "KA Esuma Bunko".

Tudo isso é o primeiro ponto chave para entendermos melhor a indústria. Vamos para o segundo.

Como funciona de verdade a Indústria de Anime? Entenda todo o processo PARTE 1

A indústria de anime no Japão era dominada pela Toei Doga, que se tornaria a conhecida Toei Animation. Alguns ainda não sabem, mas é quase um conhecimento geral de que a Toei Doga era muito influenciada pela Disney nos anos 60 e 70. Por conta disso, eles tentavam fazer seus traços e animações similares aos filmes da Disney. Nessa "competição" com a Disney, a Toei tinha como objetivo espalhar a cultura japonesa pelo mundo. Para isso, eles adotaram o mesmo estilo de animação usado pela Disney, ou seja, animação completa. Animação completa ou Full Animation é o processo onde a animação é feita em 24 quadros por segundo, o que significa que são usados 24 imagens diferentes para um segundo de animação, dãã.

No entanto, se tinha alguma diferença entre Toei e Disney, é que os animadores japoneses daquela época eram mais "rebeldes", como Hayao Miyazaki e Isao Takahata. Além desses dois, havia outro animador que trabalhou com eles em 1968 na animação Taiyou no Ouji Horusu no Daibouken. Esse animador que revolucionou a animação japonesa é nada mais nada menos que Yasuo Otsuka. Ele usava uma técnica conhecida como Modulação de Quadro ou Animação Limitada, onde uma animação é feita reutilizando várias imagens, para que essas complementassem 8, 12 ou até mesmo 24 quadros por segundo. Reciclar as imagens 3 vezes por segundo é chamado "3s", 2 vezes de "2s" e 1 vez de "1s". 

Olhando a imagem abaixo fica mais claro.

Como funciona de verdade a Indústria de Anime? Entenda todo o processo PARTE 1

Essa técnica permitia um uso mais eficiente das imagens, o que economizava tempo e dinheiro. Pouco tempo depois, essa técnica viraria padrão na produção moderna de anime.

Agora que você sabe os dois pontos chaves, podemos aprofundar mais a nossa discussão do processo de criação de anime.

Muitos ainda assumem que a qualidade da indústria é influenciada por fatores financeiros, que acaba gerando uns comentários do tipo:

"Se tiver dinheiro, os estúdios podem contratar equipes melhores"
"Se tiver dinheiro, os estúdios não precisam reduzir o número de quadros por segundo"
"Eles devem ter usado 3DCG para diminuir custos"
"Animadores trabalhariam melhor se fossem mais bem pagos"
"A animação é boa, então eles devem ter tido um bom orçamento"

Apesar de ser verdade que uma série de anime precisa de muito dinheiro, será que esses comentários, de que o dinheiro é o fator principal, são verdadeiros? Vamos discutir isso nas próximas partes desse artigo.

Texto Original por Yoza Widi.
Traduzido e Adaptado para a Você Sabia Anime?

0 comentários:

Postar um comentário