Como funciona de verdade a Indústria de Anime? Entenda todo o processo PARTE 2





Parte 2: Mais dinheiro = Melhor animação? 


Todos nós temos o costume de achar que uma animação ruim é resultado dos estúdios cortarem gastos no processo de animação. Por isso associamos imediatamente qualidade com dinheiro. Se você não leu a primeira parte deste texto, lá nós falamos de animação limitada, e agora vamos explicar ela melhor.


Será que apenas animações com vários quadros por segundo e movimentos suaves determinam uma boa animação? Lá nos anos 60, esse foi o padrão adotado. Mas hoje em dia é diferente. Graças aos esforços de Otsuka, Miyazaki e Takahata, a indústria de animação japonesa teve um "boom" nos anos 70 e 80, conhecido como era do Anime Progressivo, onde diretores e animadores competiam para demonstrar individualismo e criarem uma "identidade" própria. A Animação Limitada abria novas possibilidades para esses animadores. Ela foi responsável pela criação de animações únicas e estilos individuais que ainda reconhecemos em algumas obras de hoje.

A Animação Limitada gerou uma crise no modelo antigo de Animação Completa. Por precisar cumprir certos padrões para criar seus movimentos suaves, a Animação Completa estava fadada a ter certos vícios. Por outro lado, os movimentos na Animação Limitada viraram oportunidades que encorajaram os animadores a criarem uma individualização de seus estilos.

Como exemplo, temos Yoshinori Kanada. Kanada é muitas vezes chamado de "O pai da animação japonesa moderna". Ao contrário da animação fluída da Disney, a animação de Kanada minimiza o número de quadros e leva a animação ao seus limites. Ele também desenhou objetos e efeitos em formas/perspectivas exageradas, que fazem com durante a animação eles pareçam estar em transição de um quadro para outro. Kanada teve reconhecimento em seu estilo, que é exemplificado na abertura de Ginga Senpuu Braiger.


Seu estilo único, apelidado na época de "Kanada School Style of Animation" inspirou vários outros animadores. Até hoje, a Kanada School Style of Animation é usada e desenvolvida por muitos animadores como: Hiroki Mutaguchi, Akira Amemiya, Hiroyuki Imaishi.

Outro exemplo, de como utilizar quadros limitados de forma eficiente, pode ser encontrado nos trabalhos de Mitsuo Iso (End of Evangelion; Ghost in the Shell). Iso é visto por ter uma das melhores técnicas na animação de desenho à mão japonês, e muitos animadores o reconhecem como um gênio entre os gênios. Iso não estava satisfeito com a animação japonesa nos anos 80, por isso ele criou seu próprio estilo, que viria a se chamar "Full Limited" ou Totalmente Limitado, pois cada animação que ele trabalhou era criada apenas em 2s e 3s, sem passá-las por um "in-betweener" (processo de gerar quadros entre duas imagens de transição). O resultado é uma animação muito realista e detalhada cria um impacto forte deixando uma impressão única ao espectador. Infelizmente, diferentemente da Kanada School Style of Animation, o estilo Totalmente Limitado de Iso é extremamente difícil de se imitar, tornando essa técnica muito mais rara e complicada.


A ideia de que estúdios de anime precisam cortar o número de quadros por conta de um orçamento limitado provavelmente surgiu na época de 60, onde a produção de animes tinha a qualidade associada diretamente a esse fator. Mas desde então, com a utilização da Animação Limitada e diversificação de estilos únicos, muitos animadores hoje em dia conseguem se virar muito bem, mesmo com um número pequeno de quadros por segundo. No fim das contas, a solução de problemas não é exclusivamente o dinheiro, mas sim as habilidades e esforços das pessoas envolvidas na produção de anime.

Continuaremos com a série na parte 3.

Texto Original por Yoza Widi.
Traduzido e Adaptado para a Você Sabia Anime?

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