Criadores de Anime esperam mudanças urgentes na Indústria

Criadores de Anime esperam mudanças urgentes na Indústria


"Mais cedo ou mais tarde, uma revolta escrava irá acontecer".
"Apenas 1 pessoa em cada 10 continuam na indústria de animes"

Líderes da indústria estão com os nervos a flor da pele com o estado atual deles e esperam mudanças ainda nesse ano.

Em duas entrevistas separadas, alguns criadores de animes fizeram comentários bem fortes sobre o que precisa mudar de forma urgente na indústria atual.

Criadores de Anime esperam mudanças urgentes na Indústria

O diretor Osamu Yamasaki exalta as condições de trabalho precárias e abusivas que os animadores enfrentam e a necessidade de formar uma união.

Já o diretor, Yutaka Yamamoto, e o ex-presidente da GAINAX, Toshio Okada, discutiram sobre como o sistema de comitê precisa acabar.

Vamos falar do primeiro ponto.

Yamasaki, que dirigiu Hakkeden: Touhou Hakken Ibun e Hakuoki falou para o Business Journal sobre em como a grande demanda e exploração dos animadores aliada com a baixa remuneração fará com que se crie uma crise nos próximos 10 anos.

"Para ter uma ideia dos números, o nosso estado atual é de que apenas uma, em dez pessoas que entram para a indústria de anime, conseguem continuar o trabalho". Yamasaki explica que a jornada de 10 horas leva a uma exaustão mental pois faz com que os animadores mais jovens não tenham tempo para criar relações pessoais, seja no trabalho ou fora dele em sua vida social.

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O salário médio de um desenhista temporário, que é basicamente o primeiro cargo de qualquer animador inexperiente, é de menos de 1 milhão de ienes por ano, o que dá aproximadamente R$26.180,00. Ter que lidar com problemas financeiros somado a dificuldade de se ter uma vida social faz com que vários animadores larguem suas posições logo em seus primeiros anos.

Yamasaki ainda explica que essas práticas farão com que estúdios de pequeno e médio porte tenham que fechar na próxima decada. Estúdios maiores como Kyoto Animation, Sunrise e Trigger oferecem programas de treinamento e um ambiente e cultura de trabalho mais saudáveis, que permite que eles mantenham seus talentos na empresa.

Yamasaki conclui falando sobre a falta de divisão dos lucros. Com a forma que os comitês de produção são feitos, se torna impossível animadores ganharem uma parte do lucro que o anime fizer. Mesmo em sucessos como Kimi no Nawa, é muito raro animadores e outros membros da equipe receberem algum aumento ou parte dos lucros.


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O fato de que essa é considerada uma carreira artística faz com que a imagem seja associada com a do "artista pobre" que os jovens acham "legal", aquele que abre mão do dinheiro em prol de sua arte. Animadores não são do tipo que se preocupam muito com o dinheiro a ponto de tentarem negociar com seus superiores. Falta também uma representatividade em suas vozes.

O segundo ponto é o Fim dos Comitês de Produção.

O diretor Yutaka Yamamoto, responsável por trabalhos populares como Lucky Star e Suzumiya Haruhi no Yuuutsu, concorda com a colocação de Toshio Okada, ex-presidente da GAINAX, de que "Mais cedo ou mais tarde, uma revolta escrava irá acontecer".

Os dois conversaram sobre como o sistema de comitê de produção precisa acabar, um assunto delicado de se falar entre os criadores de anime. Eles comentaram como os comitês são formados basicamente por executivos de meia-idade que não possuem paixão por anime, e se interessam exclusivamente por dinheiro rápido.

Yamamoto diz que além de isso atrapalhar sua criatividade, impede com que outras fontes de dinheiro apareça. Ele fala sobre como as empresas chinesas chegam a oferecem por volta de 3 bilhões de ienes (por volta de 80 milhões de reais) para produzir uma série de anime, enquanto o orçamento médio fica por volta de 100 milhões de ienes (2,7 milhões de reais).

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O motivo pelo qual os comitês se recusam a trabalhar com empresas chinesas é exclusivamente o poder e controle. Para trabalhar com os chineses, eles precisariam abrir mão do controle atual de 40% do anime, o que também inclui lucros.

Okada complementa dizendo que mesmo se os comitês aceitassem serem financiados pelos chineses, eles seriam gananciosos ao ponto de dividir a verba para fazer diversos projetos diferentes. "Se tivéssemos um bilhão de ienes, poderíamos fazer um filme de anime muito bom". Okada lamenta essa prática de dividir o financiamento que acaba resultando em várias séries medíocres em vez de uma fenomenal. 

Yamamoto concorda, dizendo que esse tipo de prática faz com que as pessoas não valorizem individualmente os animes.

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