Entrevista com Gen Urobuchi, escritor de Puella Magi Madoka Magica







É algo um pouco raro que fãs ocidentais de animes reconheçam um escritor com o mesmo mérito e entusiasmo como os dubladores ou diretores. No entanto, Gen Urobuchi é um desses que é reconhecido pelos fãs mundialmente graças ao seu trabalho em séries como Puella Magi Madoka Magica, Fate/Zero, Psycho-pass e recentemente Aldnoah Zero. Mas o seu trabalho se estende além dos animes, até visual novels, live-action e até filmes completamente em CG. Urobuchi fala sobre seu trabalho, passado e presente, e seu papel na sua empresa, Nitro+, e quais são suas futuras aspirações.

- Antes de mais nada, queremos deixar claro sua atual posição. Você parece ser visto como um freelancer, mas ainda possui vínculos com a sua empresa Nitro+...

Ainda estou com eles. Na verdade, sou um dos membros fundadores da Nitro+.

- Acho que muita gente não conhece tudo que a Nitro+ faz. Algumas pessoas acreditam que seja apenas uma empresa de visual novel.

Nitro+ faz muito mais que isso. Nós contratamos várias empresas quando planejamos histórias e etc. Nitro+ é na verdade uma subdivisão de uma empresa ainda maior chamada DIGITURBO, criada para nos permitir mais liberdade para fazermos os tipos de trabalhos que gostamos. 

- Nos seus trabalhos, o univeso pode ser muito cruel e coisas ruins podem acontecer com boas pessoas, mas você apoia esse esforço pela bondade em um universo nada justo. Você se vê nesses personagens de coração puro como Madoka, Akane e Kouta, ou você se coloca mais em personagens sombrios desses mundos?

Às vezes, quando eu vejo alguém que tem um senso de justiça... Eu tenho vontade de destruí-lo! (risos) Mas na verdade, o que eu tento fazer é algo atraente. O bem e o mal devem estar balanceados, para que então haja possibilidade real de que qualquer um dos lados saia vitorioso.



- Em Fate/Zero, muitos personagens possuem fortes convicções que os impossibilitam de ver pela perspectiva de outro, mesmo entre mestre e servo, mas como escritor, você precisa ver todas essas perspectivas. Como você consegue escrever sobre tantas pessoas com mentes e crenças incomparáveis e torná-las tão fortes e verdadeiras para eles mesmos?

Acredito que se você realmente quer fazer todos os personagens distintos uns dos outros, então você precisa enfatizar todas as diferenças entre eles. Eu acho fácil escrever sobre personagens com ideologias diferentes, porque eu prefiro criar cada personagem como algo singular. É fácil de se lidar. Por exemplo, Saber e Gilgamesh e Iskander são todos similares mas possuem abordagens diferentes, então eles podem se "diferenciar" bem.

- Shogo Makishima de Psycho-pass parece acreditar que ele nasceu fora da época e do lugar onde ele deveria estar, se é que tal época e lugar existem. Ele não tem um lugar a qual pertencer no mundo de Psycho-Pass, então como você acha que ele se sentiria sobre nosso mundo e sociedade moderna?

Nosso mundo e o de Psycho-Pass não são completamente diferentes, eles compartilham vários problemas e conceitos. Se Shogo vivesse no nosso mundo? Acredito que ele seria capaz de encontrar felicidade e liberdade. Mas um dos temas mais importantes que eu estava tentando transmitir na criação de Psycho-Pass é o "medo" no mundo. É por isso que ele tem esse sentimento de não pertencer.

- Você mencionou que um dos temas centrais de Psycho-Pass é o medo, muito interessante. Um certo episódio foi cancelado na mesma época de um assassinato sinistro. Coisas como essa parecem ser uma reação comum a eventos escandalosos como esse no Japão.

Eu sinceramente não me preocupo muito com isso, e não acho que eu deveria evitar de escrever ou demonstrar qualquer tipo de coisas com medo de "reproduzirem" isso. Sempre há a possibilidade que esses tipos de tragédias aconteçam... é apenas o mundo em que vivemos.

- Em Kamen Rider Gaim, personagens diferentes são seduzidos por diferentes tipos de poderes, seja eles força física, influência sobre as pessoas, ou o poder do conhecimento. Que tipo de força ou poder seria sua própria "fruta proibida"?

Nossa, essa é uma pergunta bem difícil! Bem, é o seguinte, quando estou trabalhando, estou sempre trabalhando com outras pessoas, certo? E sempre vai haver aquelas influências externas que fazem você duvidar de suas próprias ideias e capacidade. Eu acredito que a força que eu gostaria de ter seria algo como uma força interna... o poder de confiar nas minhas próprias convicções.

- Você trabalhou em diversas visual novels que possuem contéudo sexual explícito. Uma opinião comum no mercado de jogos de PC japoneses é que um jogo precisa de cenas de sexo para vender. Você acha que a habilidade de incluir conteúdo sexual nessas histórias lhe dá mais liberdade criativa, ou você se sente pressionado a adicionar conteúdo erótico "supérfluo" para ajudar nas vendas?

Meu primeiro e mais importante pensamento ao criar algo é "Eu quero fazer algo que seja interessante". Isso que me faz sentir feliz e satisfeito, criativamente falando. Se elementos sexuais ajudam a tornar algo interessante, então eles não são inúteis.


- (depoimento do entrevistador) Eu joguei várias visual novels da Nitro+. Saya no Uta é provavelmente uma das minhas favoritas porque é completamente estranha. O que me pega muito é que apesar do jogo possuir cenas de sexo, elas vem mais como algo horripilante em vez de excitante.

Oh, obrigado pelo elogio! (risos) Essa era parte da intenção, uma vez que o horror pode definitivamente ser um componente da experiência sexual.

- Você trabalhou com uma variedade de gêneros de fantasia e sci-fi, mas que ideias ou gêneros você gostaria de escrever que você ainda não tenha tentado?

Eu realmente gostaria de fazer algo do gênero steampunk. Também estou muito interessado em fazer um videogame de mundo aberto. Algo como Skyrim!

Postagem original publicada em setembro de 2014.
Entrevista traduzida e adaptada por Kenji-san do site Anime News Network.

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