Entrevista com Takeshi Obata, ilustrador de Death Note






Se você ainda não ouviu sobre Takeshi Obata, não é por falta de assistir seu trabalho. Ele é um ilustrador e mangaká, geralmente trabalhando com escritores para ajudá-los com as histórias. Ele trabalhou em Hikaru no Go, Death Note, Bakuman, e mais recentemente, a versão mangá de All You Need Is Kill (mesmo nome de sua novel original, que inspirou o filme hollywoodiano "No Limite do Amanhã"). No passado, ele já venceu vários prêmios culturais japoneses pelos seus trabalhos em mangás, como o Tezuka Osamu Cultural Prize (2003) patrocinado pelo jornal Asahi Shimbun.

Takeshi Obata responde algumas perguntas na Comic-Con de 2014.

- Em uma série como Hikaru no Go, como você manteve a sensação de entusiasmo pelo jogo, através da arte?

Eu tive algumas preocupações, por go ser um jogo de pessoas mais velhas, e como eu iria comunicar isso para os jovens. Então eu decidi fazer o protagonista um personagem feliz, divertido, meio que indisciplinado para que as crianças pudessem se identificar. E também, por muitas pessoas não conhecem sobre go, eu fiz muita pesquisa e me adentrei nos menores detalhes sobre o jogo, para que eu pudesse manter um bom nível de fidelidade do jogo.

- Então seria algo similar como fornecer os detalhes a cobrir um torneio de xadrez, para pessoas que não estão acostumadas com o jogo?

Sim.

- Falando de xadrez, essa é a próxima questão. Em Death Note, há um ênfase muito grande em assistir os personagens lidarem um com o outro como uma espécie de gato e rato, ou um jogo de xadrez. Foi difícil tornar isso visualmente divertido?

Essa é uma pergunta muito difícil.

[Yoshida, Editor de Obata]: Você não acha que essa é uma responsabilidade do escritor, e o Obata só garante que a arte fique bonita?

Bem, eu sei que é uma pergunta bem complicada, obviamente, mas acredito que uma grande diferença é que em Death Note, muitos dos personagens não possuem uma aparência clara de vilão, então é importante pegar essas expressões faciais para que parecesse que eles estavam pensando diabolicamente, pois seus rostos pareciam manipuladores.

- Falando de arte, você prefere desenhar algo fácil mas que você goste, ou desenhar algo novo que possa ser bem difícil?

Se eu confio o suficiente no escritor, definitivamente o mais difícil, apenas pelo desafio.


- Para All You Need Is Kill, nós o conhecemos pela light novel, o mangá, e o filme. Visualmente, qual você acha que é a maior diferença entre suas ilustrações no mangá e no filme?

Há algumas coisas, certas expressões únicas para cada formato, então o filme é capaz de fazer coisas que somente filmes conseguem, e o mesmo vale pro mangá. Eu tento explorar o formato mangá da melhor forma que consigo e acredito que consigo ter sucesso se eu conseguir me manter nesses benefícios do formato mangá. Por exemplo, alguns assets que existem no filme e mangá são bem diferentes, e acredito que muita coisa é melhor capturada no mangá. E esse é um tipo de detalhe que eu gosto de me focar.

- Então basicamente, mangá é mangá e filme é filme, então a singularidade do formato mangá deveria ser enfatizado?

Sim, exatamente isso. Manga é Mangá.

Postagem original publicada em outubro de 2014.
Entrevista traduzida e adaptada por Kenji-san do site Anime News Network.

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