Entrevista com o estúdio Gainax sobre Gurren Lagann





Entrevista: Gainax sobre Gurren Lagann (Realizada em 28 de Julho de 2008)

Nós entrevistamos o produtor, Yasuhiro Takeda, o planejador de projetos e co fundador da Gainax, Hiroyuki Yamaga, o designer mecânico e diretor de animação, Yoh Yoshinari e o diretor assistente, Masahiko Otsuka.

Gurren Lagann faz um jogo de lá e cá na mudança de um tom sério para comédia, muitas vezes dentro de um mesmo episódio. Como vocês conseguiram balancear esse tom sério mas com traços de comédia?

Takeda: De forma geral, decidimos o que vamos fazer em cada episódio e o resto é para o roteirista (Kazuki Nakashima) que tem que balancear o que funciona ou não em um episódio. 

Yamaga: Nós trabalhos juntos há tanto tempo que não temos tempo para discussão do tipo de onde colocar comédia e onde vamos ser sérios. Apenas nos entendemos tanto, que o progresso é natural e ocorre de maneira tranquila.

Houve alguma ideia de história ou design que foram sugeridos, mas não chegaram a animação final por serem muito sérios ou muito bestas?

Takeda: Tipo, não em termos de ser muito sério ou engraçado ou nada desse tipo, mas havia mais que queríamos colocar na séries, como usar vários episódios para mostrar como era viver debaixo da terra, pelo menos dois. Outro exemplo foi quando a história foi para a prisão. Nós queríamos gastar mais tempo para retratar, mas não conseguimos.



Muito do estilo de arte, especialmente nos primeiros episódios, são vestígios de outro trabalho de Imaishi, Dead Leaves, e eu vejo que o Sr. Yoshinari também trabalhou em ambos os projetos. Como foi manter esse estilo único em uma agenda mais rigorosa como a da televisão?

Yoshinari: Artisticamente falando, a animação parece bem complexa, mas a verdade é que durante a fase de design, é muito fácil de se animar. Quando todo o design estava sendo criado, nós ja havíamos pensado na animação. Então apesar de parecer difícil, não foi tão complexo animar.

Houve algum episódio ou tema que vocês consigam pensar que foi o mais desafiante para vocês como animadores ou criadores?

Yamaga: Episódio 15 (risadas).

Yoshinari: Episódio 15 foi o mais difícil porque havia tantas tomadas se comparadas a qualquer outro episódio. Foi pelo menos um episódio e meio de tomadas e cortes porque havia muita coisa para cobrir.

Yamaga: Quando recebemos os scripts, precisamos achar um jeito de quantas tomadas vai levar para construir a história. Quando se resume a isso, você tem que fazer no mesmo tempo exato de um episódio qualquer.

Takeda: Quando Sushio se apresentou na FanimeCon, ele chamou a si mesmo de "Super Animador" (devido ao grande trabalho que ele fez nesse episódio)




Na mesma pegada, qual episódio foi o mais satisfatório?

Takeda: Provavelmente o último episódio. Isso significa que está terminado, completo. Se você não finalizar, nada do que aconteceu antes importa, então o último episódio com certeza é o mais satisfatório.

Sr. Yoshinari, quais mechas você gostou mais de desenhar, entre os vários designs únicos que você trouxe a série?

Yoshinari: Nenhum foi divertido, todos foram complicados (risadas).

Então qual deles foi o mais desafiador?

Yoshinari: Decidir no design final de Gurren Lagann (robô), uma vez que é a base para todo o resto do mundo.

O que, no design original de Gurren Lagann, foi difícil?

Yoshinari: Basicamente, decidir como o design final de Gurren Lagann seria, ele define o nível de realidade que você está permitindo na série. Uma vez decidido isso, você estará a mercê daquele design, então finalizar o de Gurren Lagann foi o mais difícil de se fazer.

Gainax teve que lidar com problemas na televisão na questão de imagens e temas mais maduros. Para Gurren Lagann, que mirou mais para algo mais amigável para crianças, teve problemas com canais de televisão que pudessem relacionar ele a outras séries?

Takeda: Bem, não é problema da Gainax, e sim dos canais de TV (risos). Tivemos vários problemas, em particular no episódio 6, o episódio da casa de banho. Se os canais de TV lessem o script original quando os enviamos, em vez de esperar a animação completa, teríamos menos problemas. Quando sugerimos o episódio eles disseram "Ok, não devemos ter problemas". Mas quando completamos a animação e mostramos eles disseram "Não tem como isso ir ao ar". O maior problema foi o bisbilhotar no banho feminino, o ato em si, é ilegal. Portanto, não podemos mostrar isso em um horário normal. Eles poderiam nos ter dito isso quando entregamos o script. Então tivemos que retrabalhar para levá-lo ao ar. Nós demos os script, levamos imagens, e quando finalmente terminamos a animação é que eles enxergaram algum problema?

A história em duas partes, com o espaço de anos entre elas, é um elemento bem especial do enredo. O quão cedo no processo vocês decidiram desenvolver essa história em duas partes?

Takeda: Foi decidido logo no início.



Gurren Lagann indiretamente me lembra de outra série da Gainax, Otaku no Video, em que ambos possuem estruturas divididas em duas partes de forma similar, e ambos lidam com temas de revolução e o que fazer após a revolução. Mudar o mundo é fácil, administrar esse mundo e lidar com as consequências que é difícil. Essa similaridade foi intencional, não intencional, ou apenas o resultado de experiências similares que a Gainax lidou com o passar dos anos?

Yamaga: Fazer isso não foi algo intencional no começo, mas uma de nossas tarefas é de criar um personagem em um tipo de mundo, e é bem difícil retratar isso de forma realista. Agora fazer essa pessoa crescer, faz com que se crie uma realidade. É da natureza humana que quando se é criança você quer ser adulto. Então você cresce e a questão é "Você está vivendo a vida de adulto que pensava?" Não, existe uma realidade para tudo, e isso é parte da história que queríamos mostrar nessa divisão.

Entendo que vocês estão fazendo dois filmes. Terá a mesma estrutura?

Yamaga: O primeiro filme irá retratar a primeira parte da história.

Em outra convenção, foi mencionado que a cena introdutória do primeiro episódio conta uma história diferente da do final porque ela foi mudada durante a produção. Quais foram os motivos da história ter mudado da cena introdutória para a que conhecemos hoje?

Otsuka: Era aonde pensávamos que chegaríamos quando retratamos da primeira vez. No entanto, quando chegamos lá, havia crescido muito mais do que originalmente pensávamos que seria, portanto algumas diferenças seriam notadas.

Yamaga: Esperamos continuar trabalhando em Gurren Lagann pela próxima década. Esse trabalho irá continuar.

Entrevista retirada do site Anime Network News.
Texto traduzido e adaptado por Kenji-san para a VSA em 02/06/2016.

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