O mundo complexo de Steins;Gate e da “Science Adventure”

explicando steins gate




Se você é um fã e curte visual novels, provavelmente já jogou Steins;Gate (e se ainda não jogou, deveria). Mas Steins;Gate é apenas um dos vários títulos que se unem por suas excelentes tramas sci-fi e do uso indevido do ponto e vírgula no nome.

Mas se eu vou tentar explicar a série Science Adventure, preciso de alguém perguntando todas as perguntas estúpidas para que eu possa parecer mais inteligente e sábio do que eu sou de fato.

Ok, então, que série Science Adventure é essa?

Feita pela 5pb Games e Nitroplus, a série Science Adventure é uma série de 5 jogos principais: Chaos;Head, Steins;Gate, Steins;Gate 0, Chaos;Child e Robotics;Notes.

Agora entendi o que você quis dizer com uso indevido de ponto e vírgula.

É basicamente a marca registrada da série. De qualquer forma, há também várias histórias non-canon e spin-offs, além de várias edições especiais dos jogos principais com conteúdos adicionais.

Então, qual é a deles? Do que eles tratam?

Essa é uma pergunta complicada. Colocando de forma simples, todos os cinco jogos acontecem no mesmo mundo e possuem o gênero sci-fi como tema. Os dois jogos Chaos focam em pessoas com poderes de alterarem a realidade. Os outros dois Steins:Gate são sobre viagem no tempo.


mundo de steins gate


E Robotic;Notes?

É sobre um grupo de crianças construindo um Gundam realista.

Não tenho certeza se fico animado ou incrédulo com essas ideias. E o que você quis dizer com “realista”?

Bom, essa é uma das melhores partes da série como um todo: Tem ciência de verdade envolvida. No caso de Robotics;Notes, eles mencionam muito sobre como robôs gigantes teriam a parte de cima do corpo muito pesada para as pernas suportarem, e muito menos ainda conseguirem se mover, e outras coisinhas a mais. E Steins;Gate mergulha profundamente nas teorias principais e reais de viagem e construção de uma máquina do tempo (e o porquê de cada uma não funcionar). E por último, Chaos que lida com naturezas da percepção, realidade e antimatéria.

Então são todos cientificamente corretos?

Claro que não! Mas assim como as melhores histórias de ficção científica, o passo inicial é dado com utilização de ciência real, antes de entrar de fato na ficção.

Tudo bem até agora. Você conseguiu minha atenção. E agora?

Agora, vamos desmembrar a série, jogo por jogo, e comentá-los. Vamos fazer isso na ordem cronológica fictícia da série, e começar com Chaos;Head.

Beleza, se você fosse me apresentar Chaos;Head, como o descreveria?

Persona 4 misturado com Se7en – só que mais fodido.
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Meu Deus.

Pois é. Bem, de qualquer forma, Chaos;Head começa em 2009 e nos apresenta um otaku hardcore chamado Takumi que vive numa espécie de container no topo de um apartamento em Tokyo Shibuya District (mesma área de The World Ends With You). Em um dia qualquer em que ele está alimentando seus vícios, lhe é enviado imagens de um assassinato horrível. Um homem empalado em uma parede por centenas de estacas. Ele ignora e considera isso uma “pegadinha”; mas ao caminhar para casa no dia seguinte, ele presencia essa exata cena, com a adição de uma garota de cabelo rosa com uma das estacas.

Eita porra!

Logo, Takumi se vê no centro de uma série de bizarros assassinatos em série. Suspeito pela polícia, e ao mesmo tempo, crédulos de que ele será o próximo alvo, Takumi começa a ser dominado por alucinações que se alternam entre horripilantes a eróticas. Ele não tenta solucionar o mistério, e sim escapá-lo.

Eu assumo que ele não consegue escapar.

É uma boa afirmação. Especialmente quando várias garotas estranhas começam a entrar em sua vida, mudando a sua própria realidade “2D” que vivia. Depois de um tempo, ele já nem sabe onde as ilusões terminam e a realidade começa.
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Então, isso é uma visual novel, certo? Há algum gameplay?

Claro. Basicamente, você está no controle das ilusões de Takumi. Você escolhe se ele acaba vendo uma positiva (cômica e/ou erótica), se é chocado por uma negativa (horripilante ou sangrenta, ou qualquer coisa do tipo), ou se ele consegue manter os pés firmes na realidade.

Isso afeta o final da história, ou algo do tipo?

Na versão new game plus do jogo original faz. Apesar disso o jogo só possui 3 finais. Na versão remasterizada, Chaos;Head Noah, suas ilusões o afetam muito mais a medida em que há várias novas rotas na história.

Então como é Chaos;Head, no geral?

Bem, é uma história bem curta se comparada ao resto da série e possui um protagonista extremamente difícil de se gostar. Não tenho certeza se a ideia era simpatizar com ele, ou se divertir torturando ele. Além disso, o grupo de personagens principais nunca se “unem” como um grupo, é mais sobre Takumi ficar vagando pelas histórias deles, e não necessariamente uma peça vital para a história de Takumi. Não é um jogo ruim, mas comparado ao que vem a seguir, podemos dizer que ele é um “nada”.

… Lá vem.

Steins;Gate é simplesmente uma das melhores visual novels (ou a melhor) já feita. Enredo incrível, ótimos personagens e momentos emocionais. É uma obra prima de uma história narrativa. Também acho que a sua adaptação para anime é o melhor anime que já vi.
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Como você é fanboy!

Que jeito engraçado de dizer “inteligente”.

*Suspiro* Que seja... Vamos logo com isso. Me conte sobre Steins;Gate.

Steins;Gate acontece em 2010 e conta a história de Okabe, um estudante universitário (que se intitula como cientista louco) vivendo no distrito otaku de Akihabara, em que ele acidentalmente consegue viajar no tempo.

Bem, isso foi surpreendentemente sucinto.

Mas estamos longe de terminar. Um dia, após um seminário sobre viagem no tempo, Okabe encontra o corpo, recentemente assassinado, de Kurisu, uma gênio neurocientista de apenas 18 anos. Mas quando ele manda uma mensagem pelo celular para seu amigo, o mundo muda para um onde Kurisu ainda está viva, e intrigada por esse “cientista louco” que insiste em ter visto ela morta.

Por que eu estou vendo um padrão nesses jogos, começando sempre com um assassinato horrível?

Sim. E fique quieto. De qualquer forma, grande parte da primeira metade do jogo mostra Kurisu, Okabe e seus amigos tentando descobrir o que ele fez, e como ele fez (enviar uma mensagem ao passado, e como repetir isso). Daí adiante, eles enviam diversas mensagens para testar o dispositivo e para melhorarem suas vidas.
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E a segunda parte?

Eles lidam com as consequências de suas ações, tentando superar o jeito em que as estruturas de multiversos funcionam. Ao entrar nessa parte, é contada a história da luta, de um homem qualquer, contra o próprio destino criado por essas ações.

Então como é o gameplay nesse?

A interatividade do jogador em Steins;Gate é feita através do celular de Okabe. Responder mensagens, realizar chamadas, e até mesmo só apresentá-lo em alguns momentos pode afetar dramaticamente a trama. Em outras palavras, o jogo muda de acordo com as interações que Okabe tem com outros e qual informação ele recolhe em cada momento.

Hum. Então pera, volta pro enredo um pouco. Parece que Steins;Gate é o início da história. Então o que é Steins;Gate 0? Uma Prequel?

Eu entendo que o nome possa fazê-lo pensar assim, mas não. Steins;Gate 0 é na verdade um midquel (ele acontece no “meio” do “final verdadeiro” do jogo original).

Há alguma forma de você falar sobre Steins;Gate 0 sem dar spoilers do primeiro jogo?

Claro. Basicamente, Steins;Gate 0 é a história de Okabe como um homem destruído. Apesar de ter atingido seu objetivo original, o preço a se pagar é muito alto e ele se torna apenas uma “casca” do seu antigo eu. Em vez de continuar a luta para conseguir um “final feliz”, ele destrói a maquina do tempo e tenta seguir com sua vida.

Assombrado por suas memórias e sofrendo de um severo Estresse Pós-Traumático, ele se liga aos colegas de um amigo(a) morto(a). Isso em si o leva a uma nova aventura, onde Okabe aprende que mesmo em um mundo sem máquinas do tempo, apenas o conhecimento de que uma possa ser criada já é o suficiente para alterar drasticamente as linhas de tempo.

Então... o que você tá dizendo é que é algo pesado.

Esse é um jeito de suavizar. No entanto, no principal, se trata de uma história de redenção, de um homem voltando ao campo de batalha mais uma vez enquanto o mundo colapsa em sua volta, e dele encontrando forças para continuar. É a história que faltou, que resulta no caminho para o “final verdadeiro” do jogo original, que ao todo, dá ao final do primeiro jogo, ainda mais poder emocional.

O gameplay é parecido com Steins;Gate?

Mais ou menos. Ambos são controlados pelo celular. No entanto, o que afeta nesse jogo são os momentos chaves onde você escolhe atender ou não o telefone. O que é interessante nisso é que, apesar de não existir uma máquina do tempo, tanto uma escolha quanto a outra (de atender ou não o celular) faz com que a linha temporal seja alterada de diversas formas. Não há como se manter na linha de tempo inicial. O porquê disso acontecer é um dos grandes temas do jogo.
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Sim, parece como um bom jogo de mistério. Então, qual o próximo? Chaos;Child? É uma sequência direta a Chaos;Head?

Mais uma sequência temática, por assim dizer. Com muitos assassinatos, ilusões e poderes de alterar a realidade. Enquanto todos os personagens de Steins;Gate retornam em Steins;Gate 0, apenas um personagem de Chaos;Head aparece fisicamente em Chaos;Child. O foco é em novos personagens dessa vez.

Complementando, os personagens de Steins;Gate interagem muito mais com a história do que os personagens de Chaos;Head.

Sinto que estamos fugindo um pouco do assunto aqui. Volta e me apresenta Chaos;Child.

É uma mistura de X-men com a mistura de Persona 4 e Se7en, só que mais fodido.
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... Ok, acho que dessa vez preciso de uma explicação melhor.

Vamos lá, voltando a Chaos;Head um pouco, ambos começam e terminam com um terremoto em Shibuya. Chaos;Child retoma em 2015 e acompanha um grupo de adolescentes que sobrevivaram ao terremoto quando crianças (apesar de que a maioria de seus amigos e famílias não tiveram a mesmo sorte).

O personagem principal dessa vez é Takuru. Um pouco estranho quando fala com alguém do sexo oposto (além de sua melhor amiga e irmã), não significa que ele seja tímido e é o presidente do clube de jornal do ensino médio.

Ainda estou esperando a ligação da mistura de X-men com a de Persona 4 e Se7en.

Basicamente, ele é o primeiro a notar que dois recente assassinatos horríveis aconteceram na mesma data em que os assassinatos de Chaos;Head. Logo ele descobre o padrão atrás das vítimas e que ele e vários amigos são possíveis alvos. Com isso, a situação se torna em um jogo de gato e rato. Conseguirá ele pegar o assassino e salvar seus amigos antes que a próxima vítima seja feita?

E a parada do X-men?

Diferentemente de Chaos;Head, onde vários personagens possuem poderes de alterarem a realidade, os de Chaos;Child possuem uma forma menor desse poder. Para um personagem, ela se manifesta como uma habilidade de detectar com 100% de certeza quando alguém está mentindo.

Adolescentes com superpoderes resolvendo casos mistérios e assassinatos. Entendi. Como se joga?

Identicamente a Chaos;Head, com você escolhendo quais ilusões Takuru verá ou se ficará na realidade. Você usa todos os tipos de evidências que reúne e escolhe a conclusão correta para dar sequência a história. Há também várias rotas que são alteradas com base nas ilusões que você vê (isso porém só acontece depois de finalizar o jogo ao menos uma vez).

Mas o jogo é bom?

Na verdade, é incrível. Está só um pouco abaixo de Steins;Gate em termos de história e personagens, e é muito melhor que Chaos;Head. Algumas das várias rotas da história parece puro filler e outras são incrivelmente surpreendentes, mas as duas/três rotas principais são brilhantes. É um grande mistério que fornece uma boa dose de satisfação no final.

Enfim, isso nos leva a...

Você me prometeu Gundams.

Robotic;Notes.
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GUNDAMS!

*Suspiro* Robotics;Notes se passa em 2019 na ilha japonesa de Taengashima, que serve como uma das bases de lançamentos da JAXA (A NASA japonesa). Acompanhamos um grupo de crianças em seu clube de robótica do ensino médio. O personagem principal é Kaito, um gamer hardcore de luta que não tem vontade de fazer nada. Sua melhor amiga, Akiho, porém, possui um sonho: construir um robô gigante.

Gundam.

Bem, um “Gunvarrel”, mas é, ok. Um Gundam. De qualquer forma, essa construção os envolve em várias ocorrências misteriosas: relatórios secretos que indicam o impedimento de uma conspiração apocalíptica, torres de transmissões literalmente caindo do céu, uma garota AI que gosta de falar sobre o tempo.

... Quer saber? Quando se coloca assim, Robotics;Notes é bem estranho.
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Eu percebi.

De qualquer forma, se joga de forma similar a Steins;Gate, apesar de que Kaito usa um smartphone Android em vez de um celular, e pode usar os aplicativos para afetar o enredo.

E o veredito?

Vou confessor, eu apenas vi o anime (novamente para fazer esse artigo), ainda preciso jogar a Visual Novel. Então, apesar de eu saber a história principal, não conheço as rotas possíveis do jogo

Dito isso, ele é ok. Possui ótimas partes, em especial o clímax, além de ter vários personagens incríveis. Mas eu sinto que foi uma estratégia de atirar pra todos os lados, fazer várias linhas de enredo até que alguma acerte.

Ok... Acho que esse são todos os jogos, certo? Mesmo depois de tudo isso (além das sequências, obviamente), eu não vejo como esses jogos de viagem no tempo, poderes de alterar a realidade e robôs possam ser relacionados no mesmo mundo.

Basicamente, a única coisa que junta esses jogos todos são os seus “vilões”. Se escondendo por trás de cada um deles está o Comitê dos 300. Baseado em uma teoria da conspiração real de mesmo nome, o Comitê dos 300 busca a dominação mundial, e mesmo já possuindo dinheiro e poder suficientes para assassinarem pessoas sem problemas, eles querem a dominação completa.

Entendo. Tipo uma dominação do tempo.

Ou da própria realidade.

Ou… Gundams…?

Os robôs gigantes são mais um meio pro final do que o final em si.
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Vou acreditar nessas palavras.

Cara, Robotics;Notes é tão estranho.

Estou percebendo.

De qualquer forma, o Comitê dos 300 prova ser um grande vilão. Eles controlam corporações, grupos políticos, religiões – na verdade, qualquer um que você conheça pode ser um agente deles. Eles são tão grandes que mesmo quando os nossos heróis possuem uma máquina do tempo ou super poderes, o Comitê ainda parece ser imbatível. Mais do que isso, na maior parte do tempo, eles parecem sequer se importarem que nossos heróis existam e deixam eles livres – até o momento que eles mudam de repente (e “letalmente”) de ideia.

Beleza, você venceu. Onde eu posso jogá-los?

Bom, ai que está o problema...

Que seria?

Chaos;Head nunca foi lançado oficialmente em inglês, apesar de ter uma adaptação para anime.
Steins;Gate possui tanto um lançamento oficial em inglês e um anime fantástico.
Steins;Gate 0 é novo não possui nem lançamento em inglês ou anime, apesar de que teve um episódio de “entrada” que foi ao ar junto com o lançamento do jogo no Japão.
Chaos;Child só possui a versão em japonês, mas vai receber um anime no meio pro final de 2016.
Robotics;Note também só está disponível em japonês, no entanto, possui uma adaptação para anime.

Ok, acho que foi tudo bem explicado.

Ótimo. Então terminamos por aqui. Você serviu o seu propósito. Se apresente.

Por que eu ainda me dou o trabalho?

Porque você é, provavelmente, um sinal óbvio e eminente da evolução de minha instabilidade mental, e, portanto, não tem outra escolha senão ser uma representação fictícia da minha psique destruída?

É, você provavelmente está certo.



Texto retirado do site Kotaku.
Traduzido e adaptado por Kenji-san.

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