Katsuhiro Otomo: Akira já deu para mim - Akira 35 anos

Katsuhiro Otomo Akira já deu para mim - Akira 35 anos



O manga de ficção científica de 1982 e o filme de 1988, Akira, do criador Katsuhiro Otomo, são obras admiradas por leitores, espectadores e colegas do ramo. Se considerarmos o fato de que atualmente estão criando uma nova adaptação hollywoodiana da obra, podemos dizer que ela continua sendo bem relevante. No entanto, apesar de Otomo ainda ser um artista atuante com seus 63 anos (ele está criando um novo anime e manga), seus sentimentos a respeito de sua obra clássica parecem um pouco... distantes.

A Forbes recentemente conversou com Katsuhiro Otomo sobre Akira e demais trabalhos.

Veja o depoimento dele sobre ter visto Akira pela primeira vez:

"Na verdade, quando eu vi pela primeira vez a versão em filme de Akira, eu pensei que seria uma falha total. Eu deixei o cinema rapidamente e voltei para minha casa. Conversei com minha mulher e disse que o filme havia sido uma falha. Isso porque eu achei a primeira metade boa, mas que, por falta de tempo e orçamento limitado, a qualidade do filme diminuía a medida em que a história progredia. De forma geral, eu achei que a qualidade caiu na segunda metade do filme. Então enquanto eu via a medida que o tempo passava e a qualidade piorava, eu me sentia cada vez mais infeliz.

Para dar alguns exemplos do que eu disse, não havia muitos animadores para dar conta de todo o trabalho. Cada animador precisou trabalhar mais do que eles conseguiam, o que significa que fizeram muitas horas extras e tiveram que abrir mão de alguns aspectos como qualidade de animação. Além disso, o estúdio precisou terceirizar a animação para reduzir custos, o que no fim não foi algo muito bom.

No entanto, quando Shoji Yamashiro fez o remake usando 5 canais de áudio, ele convidou e me mostrou o filme novamente. Fazia um bom tempo desde que eu havia o visto pela primeira vez. Talvez esse tempo tenha me deixado menos crítico, mas quando vi novamente pensei 'Oh, isso é interessante' e talvez não tivesse sido tão ruim quanto eu pensava''.

Katsuhiro Otomo Akira já deu para mim - Akira 35 anos

Depoimento sobre o projeto de live-action

"Apesar de ainda não ter visto o novo live-action de Ghost in the Shell, quando falamos de Akira, se trata de uma obra que eu já finalizei o mangá original e a versão em anime. De certa forma, 'Akira já deu' para mim. Se alguém quer fazer algo novo com Akira, eu fico tranquilo quanto a isso, conforme mostra a própria oferta de live-action que eu aceitei. Basicamente, eu estou tranquilo que façam o que quiserem com ele. No entanto, eu aceitei com apenas uma condição, de que eu teria que olhar e aprovar o cenário.

Como sempre, a questão principal quando falamos de adaptações, é a decisão de seguir a risca o roteiro e o trabalho original ou de fazer algo completamente novo com ele. Isso sempre gera discussão. Esses problemas são mais comuns em adaptações de light novels, já que o leitor precisa usar sua própria imaginação para trazer os personagens e cenários a vida. E cada leitor tem uma interpretação diferente. Mas isso também significa que a produção do filme terá muito mais liberdade na hora de criar uma adaptação. Isso não acontece quando temos um manga que serve como uma espécie de padrão a ser seguido. Isso torna o processo de criatividade da produção muito mais difícil.

Pessoalmente, acredito que se manter completamente fiel ao manga em uma obra como Akira não faria muito sentido como filme. Em termos do que eu faria numa adaptação de live-action de Akira, eu não seguiria esse caminho. Eu preferiria muito mais que fosse criado algo novo e separado."

Sobre relançamento de mangas ou tributos a obras antigas:

"Não estou interessado em um projeto assim, é como se eu estivesse contando a idade de uma criança morta" (fazendo alusão a sua obra).

Talvez isso explique porque o mangá demorou tanto para vir para cá, Porque o autor está cansado de Akira já

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