Entrevista com o diretor da live action de Tokyo Ghoul





Antes do lançamento no Japão, o filme live action de Tokyo Ghoul estreou em 3 de Julho na Anime Expo. Centenas de pessoas esperaram horas na fila por uma chance de ver o filme. O público estava delirando, com os fãs comemorando algumas cenas e personagens. Depois disso, houve uma pequena sessão de perguntas e respostas.

Em preparação para a estreia no Anime Expo 2017, a Anime News Network conseguiu uma entrevista exclusiva com o diretor, Kentarou Hagiwara, para discutir sobre as influências do filme e as adaptações necessárias para trazer esse manga popular para as telonas.

Tokyo Ghoul Live Action

- Você conhecia Tokyo Ghoul antes de dirigir esse filme?

Não, não conhecia.

- Então o que você achou do material? Quando estava se preparando para dirigir o filme, você leu o manga?

Como eu disse, eu não conhecia nada do material antes, mas quando me ofereceram o projeto, eu li o manga inteiro e achei bem interessante. Fiquei muito fascinado. Nisso, comecei a pensar em como apresentaria isso para os produtores, e como eu apresentaria esse material como um filme.

- Quais foram os desafios em adaptar Tokyo Ghoul para uma versão live action?

Nós não tínhamos um orçamento de Hollywood para esse filme, então, como costume do estilo japonês de filmagem, precisei ser criativo sobre o que eu poderia mostrar em cenas. Eu não planejava fazer esse filme como um filme de ação. Em vez disso, eu quis fazer um filme que incluísse tanto ação quanto drama. Por exemplo, kagune - eu não queria incluí-los apenas porque seria legal, mas sim porque são parte da história de forma geral. Então quando Kaneki se torna um ghoul, ele precisa aprender a ver seus kagune como uma parte de si mesmo, como algo bonito.

- O quão difícil foi para colocar o kagune, visualmente?

Kagune não são coisas que existem, é claro, então tivemos que pensar sobre coisas como o peso ou como eles se moviam. Eu trabalhei duro para fazê-los parecer bem real, como coisas que realmente pudessem ser parte do corpo das pessoas. Isso foi um desafio. Também teve o problema de como animá-los emocionalmente. No começo, durante seu encontro com Rize, Kaneki éstá assustado dessa criatura desconhecida - um ghoul. Então nesse momento, eu tentei tornar os kagune mais assustadores. No entanto, assim que Kaneki se torna um ghoul e entende o significado disso, eu os tentei fazer parecer mais bonitos, para que ele não tivesse medo dele mesmo.

Tokyo Ghoul Live Action

- Você mencionou algo sobre gênero agora pouco. Qual gênero você considera que seja essa versão de Tokyo Ghoul?

Acredito que eu tenha feito algo tipo um filme hollywoodiano aqui, algo como "brancos" irem a terras desconhecidas, se assimilar na sociedade deles, tentar entendê-los e aprender a conviver com eles. Algo tipo "O Último Samurai".

- Existe outros filmes que você usou como referência?

Em termos de enredo, filmes como Distrito 9. Visualmente, os produtores pediram para que eu assistisse alguns filmes como referência. No entanto, meu foco estava na história linda presente no manga, então procurei me esforçar em retratar melhor e de forma bonita o que já estava no manga. Mas, eu também peguei um pouco de inspiração particular de Kill Bill: Volume 1, que conta uma história forte recheada de ação.

- Você assistiu algum outra adaptação live-action de anime como referência?

Eu assisti vários, não de anime, mas live-actions que vieram direto de manga. No entanto, eu não assisti o anime Tokyo Ghoul, para que eu pudesse focar apenas no manga.

- Como você replicou a sensação do manga em live-action?

Você já viu a adaptação em live-action de Ping Pong?

- Não.

Bem, o que o diretor daquele filme, Fumihiko Sori, fez foi utilizar o mangá como um storyboard, imitando os arranjos em painel no live-action. E funcionou bem, mas ao mesmo tempo, ele também incorporou a realidade de forma a não ficar muito estilo anime ou manga. Então para Tokyo Ghoul, eu tentei incorporar algumas cenas utilizadas no mangá.

- Qual você acha que seja um dos problemas mais comuns ao fazer adaptações em live-action de animes? Como você contornou isso em Tokyo Ghoul?

Em histórias shonen japonesas, há muitos personagens com estereótipos. Por exemplo, temos o Goku, que é aquele cara bobo, tranquilo e feliz, que todos gostam. Kaneki, no entanto, não é tão simples assim. Então tive problemas em encontrar modelos em live-actions que pudesse retratar bem personagens mais complexos.

- Estou interessado no processo de tentar fazer realisticamente um personagem de anime ou manga. Geralmente, eles possuem designs complicados e exóticos, que seria inviável no nosso dia a dia, desde roupas a cores de cabelo. Como você conseguiu balancear isso para que eles ficassem "reais", e ao mesmo tempo, reconhecíveis como os personagens que são no manga?

Você conhece o personagem Mado?

- Sim, parece que ele seria um difícil.

Você sabia que ele precisava ter cabelo cinza? Inicialmente, iríamos fazer todos de cabelo preto, mas quando eu fui conversar com o ator (Yo Oizumi), ele insistiu em ter o cabelo cinza. No fim, acabamos fazendo uma peruca com cabelo humano para interpretar esse papel. Pensávamos que, se colocarmos esse estilo e ainda parecesse algo atraente, mesmo que não fosse realista, poderia funcionar bem.

Tokyo Ghoul Live Action

- É possível que tenha mais filmes live-action de Tokyo Ghoul no futuro?

Eu gostaria disso. Mais personagens interessantes seriam apresentados.

- Você ficaria interessado em assistir o anime após fazer os filmes, para ver o que foi feito diferente?

Talvez, quando tudo estiver feito. Pelo menos o arco que eu cobri nesse filme.



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