Como são feitos os animes? Passo a Passo: A pré-produção de um anime - Parte 1

Como são feitos os animes?



Este artigo tem como objetivo apresentar os principais processos e detalhes da produção de um anime, desde seu conceito inicial até o ponto onde a animação começa. Muita coisa já foi postada no site sobre isso, incluindo aspectos técnicos de desenho, coloração, cenário, arte e etc. Mas a ideia aqui é falar o que acontece ANTES disso tudo acontecer. Vamos ir passo a passo em cada etapa da pré-produção, para você ter uma ideia melhor de como surge um anime.

PARTE 1: O PLANEJAMENTO


O planejamento é o período mais vago e amplo do processo de pré-produção. Ele cobre de tudo, desde a ideia inicial de produção de uma animação até o início da parte de construção do enredo. Por isso, essa parte não segue necessariamente um padrão. No entanto, tudo começa da mesma forma, alguém vem com algo tipo "Eu quero fazer um anime xxxxx". E a pessoa que traz essa frase, na maioria das vezes, são os produtores.

Produtores são, geralmente, as pessoas que estão no centro do projeto. Eles não são pessoas ruins, mas são mais "empresários" do que criadores. Aliás, muitos artistas acabam migrando do papel de criador para um produtor a medida em que envelhecem, e acabam desistindo um pouco da parte mais ativa da criação em si. Os produtores organizam o trabalho e garantem que tudo esteja progredindo corretamente em cada parte da produção, deixando a parte de inovação e criatividade para outras pessoas. 

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Um ótimo exemplo de como um produtor pode vir com ideias para uma série é em Madoka Magica. O produtor executivo da Aniplex, Atsuhiro Iwakami, quis que essa série de garotas mágicas fosse supervisionada pelo diretor Akiyuki Shinbo, pois ambos já haviam trabalhado juntos em Hidamari Sketch e Bakemonogatari. Iwakami também leu as novels de Fate/Zero, escritas por Gen Urobuchi, e achou que esse estilo encaixaria bem com a franquia, e por isso também o trouxe para trabalhar em Madoka. As ideias de um produtor como Iwakami, e suas conexões, foram grandes responsáveis pela criação de uma franquia grande como essa.

Ideias também não são exclusiva de algumas pessoas. Sejam eles conceitos originais ou não, essas ideias são "comercializadas" a varias pessoas antes de ter um destino final. Muitas empresas "compram" o direito de fazer parte da produção.

Uma pergunta que você pode ter é "Qual a diferença entre planejar um anime original e adaptações?". Tatsuya Ishiguro, produtor da Pony Canyon, comentou uma vez que uma série original de anime precisa de pelo menos dois grandes nomes nos três pilares criativos que sustentam uma produção: Diretor, Compositor e Designer de Personagens. Se não há nomes grandes, financiar uma série original se torna muito complicado. É por isso que vários projetos originais vão atrás de grandes nomes para, pelo menos, um desse três pilares, sejam eles diretores ou ilustradores populares, pois mesmo que eles não venham com a ideia original, a atenção que o nome deles traz é um grande argumento para vender a ideia a potenciais investidores. 

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Até mesmo Evangelion, num determinado momento, era apenas um conceito e várias ideias misturadas.

"O nome de um artista popular não atrai somente a atenção dos espectadores, mas também convence os empresários de que o projeto é algo pelo qual vale a pena investir"

Quando se trata de adaptações, isso fica mais tranquilo, uma vez que a fonte original já pode ser popular ou relevante o suficiente para que os interessados façam um investimento "seguro".

Assim que o produtor consegue a ideia e convence os executivos de sua empresa em financiá-la, ele começam a trabalhar para conseguir ajuda de outras empresas. Para isso, eles criam uma proposta de produção detalhando o enredo geral (que pode ser alterado, OBVIAMENTE por motivos de negócios), personagens e outros aspectos para os produtores de outras empresas, com a intenção de formar o polêmico comitê de produção. O comitê de produção, como já enfatizamos diversas vezes na VSA, trata-se de uma "empresa de curto prazo" que existe para criar um trabalho (anime de TV, filme, etc) com o apoio do conhecimento de diversas empresas. Os estúdios de animação podem estar no comitê, e às vezes, até liderá-los... mas poucos estão dispostos, ou possuem a capacidade, de bancar o risco financeiro de uma produção dessas. Geralmente, eles ficam no fim da lista, ou seja, são os que menos investem dinheiro na produção e por isso recebem menos também.

Após o comitê ser criado, eles começam a reunir uma lista das pessoas que formarão a equipe responsável pelo projeto. Isso consiste em encontrar um diretor que possui o tempo necessário para dedicar ao projeto (caso já não tenha sido escolhido um nome no comitê), alguém para ser o responsável em como a série vai ser dividida episódio por episódio e revisar os scripts, um artista para desenhar os personagens e servir como diretor chefe de animação, e qual lugar que pode lidar com a produção do anime. Como falamos, o diretor de animação, e até mesmo o de animação podem ser recomendados no próprio comitê. Essas são as posições chefes, que uma vez definidas, serão responsáveis por trazer o resto da equipe nas demais funções.

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Enquanto o comitê trabalha nisso, eles também começam a planejar como vai ser o andamento da série. Se for adaptação de um trabalho já existente, o quanto da história vai ser coberto? Quantos episódios eles vão conseguir bancar? Como vai ser feito o lançamento para as versões em DVD/Blu-Ray e quantos DVD/Blu-rays eles vão produzir? Quais serão as fontes de lucro adicionais (eventos de pre-lançamento, eventos ao vivo, merchandise, etc)? Quando conseguiremos fazer tudo isso? Quando conseguiremos transmitir o anime? Todos esses detalhes são tratados cuidadosamente pelos produtores e membros do comitê de produção. 
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Ao ler tudo isso, você deve pensar algo do tipo "Mas isso não envolve nada no processo de criação do anime em si". Parcialmente, é verdade. Mas qualquer decisão mal feita nesse processo entre os produtores e o comitê pode arruinar todo o trabalho dos artistas. Como? Veja um exemplo: não importa o quão talentoso sua equipe de artistas sejam, se os executivos decidirem que o anime deve estrear muito cedo (as vezes por bons valores negociados com as emissoras em determinada época ou mesmo impaciência), a equipe não conseguirá entregar um trabalho com a qualidade que teria com um prazo maior de entrega. E isso é um exemplo recorrente na indústria.

Assim que esses detalhes referentes a série são finalizados, o diretor e compositor começam a escrever como vai ser o andamento da obra. Geralmente chamado de "readthrough", se trata de um "ensaio" inicial de como vai ser a obra do início ao fim. Mas isso fica para a parte 2.

Fonte
Artigo adaptado para a VSA


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