Além dos Animes: P.A. Works é reconhecida por sua contribuição social

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A P.A. Works é bem reconhecida pelos fãs ao redor do mundo por criar animações lindas e shows sinceros como True Tears e Hanasaku Iroha. Mas o seu ativismo não é tão reconhecido. Fãs de suas obras já devem ter percebido que muitas histórias se passam na área mais rural do Japão, mas vocês sabiam que o próprio estúdio foi fundado no interior, e que é um dos poucos estúdios de animação no Japão que fez isso?

P.A. Works foi fundado em 2000, quando o presidente da empresa, Kenji Horikawa, se mudou para a Província de Toyama. De acordo com entrevistas, ele se mudou pois havia concordado em criar seus filhos com sua família em Toyama. Por anos, Horikawa trabalhou como produtor no estúdio de animação em Tokyo na Production I.G, Tatsunoko Production e Bee Train; muitos de seus colegas diziam para ele que um estúdio de animação não seria capaz de sobreviver no interior. Naquela época, não havia sequer uma linha direta de transporte entre Tokyo e Toyama. No entanto, Horikawa estava determinado a criar um estúdio que faria mais do que simplesmente sobreviver no interior, e sim fazer sucesso.

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Após oito anos fazendo contratos de trabalho com outros estúdios de animação, a P.A. Works finalmente conseguiu juntar uma equipe e recursos para começar sua própria produção. True Tears (2008) foi um sucesso absoluto para o estúdio; não apenas vendeu bem, como também incentivou vários fãs a visitar Johana, a cidade montanhosa em Toyama onde o anime se passa. Na parte rural do Japão, onde cada variável afeta intensamente a economia local, o grande fluxo de turistas é muito bem vindo.

True Tears marca o início da empreitada da P.A. Works com o turismo de anime. A partir daí, o estúdio criaria mais histórias originais em colaboração com comunidades locais de onde seus animes passariam. Sua tentativa mais recente nisso foi através de Sakura Quest, uma história que é, literalmente, sobre um grupo de jovens que tentam revitalizar uma cidade em ruínas. Mas a P.A. Works não cria apenas animes, eis outros métodos que o estúdio adota para envolver pessoas de comunidades locais:

Tirando o Festival Bonbori do papel


Hanasaku Iroha é baseado em Yuwaku Onsen situada na Província de Kanazawa. Mas o que vai te surpreender é que o Festival Bonbori mostrado no anime não foi inspirado em algum festival local. O festival começou como uma invenção, uma festa fictícia, mas que hoje é celebrado como um festival anual pelos residentes de Yuwaku Onsen.

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O nascimento do Festival Bonbori é uma história bem interessante. De acordo com Nobuhiro Kikuchi, um produtor executivo da P.A. Works e membro do Comitê de Viagens de Yuwaku Onsen, os residentes conversaram com o estúdio sobre a ideia de criar o festival de verdade. Em 2009, o local havia sido atingido por uma forte tempestade, causando inundações que danificaram mais de 2.000 construções. Três anos depois, as pessoas queriam celebrar a recuperação da região. Nessa época, o enredo de Hanasaku Iroha não havia sido completamente definido ainda, e então o pessoal da cidade e a P.A. Works trabalharam juntos para desenvolver todo o conceito e a logística por trás do Bonbori Festival.

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A ideia básica do Festival é de que uma jovem kami (divindade) está perdida, e as lanternas servem de guia para Izumo-Taisha, um santuário. Diz a lenda de que no mês de Outubro, as divindades se reúnem no santuário de Izumo-Taisha para determinar o destino das pessoas. De forma simplista, o Bonbori Festival de Yuwaku Onsen toma como inspiração outras tradições do Japão, como o Festival Matsue Water Lantern. Obviamente o festival mantem uma conexão simbólica grande com o enredo de Hanasaku Iroha, onde ele serve como um clímax para a história.

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Aqui, Ohana aparece segurando um nozomi-fuda (uma placa de madeira com seu desejo) com várias lanternas de papel acima.

Por conta do Comitê de Viagens da cidade não fazer ideia de quantas pessoas participariam do Festival Bonbori em sua primeira edição, ele foi feito de uma maneira em que fosse possível tocar o festival com somente dez pessoas. Assim como qualquer outra tradição local, esperava-se que o festival começasse pequeno e fosse gradualmente ficando maior.

Mas o Festival Bonbori excedeu as expectativas. Em seu primeiro ano, ele conseguiu atrair mais de 5.000 visitantes e esse número tem crescido desde então. Em 2017, 7ª edição do festival, mais de 15.000 pessoas participaram.

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Esse número é ainda mais impressionante se considerarmos que havia dúvidas se o festival realmente ocorreria esse ano. Ainda no início de 2017, houve outra inundação na região. Felizmente, os governos de Kanazawa e Ishikawa ajudaram a bancar custos de reparos, garantindo que o festival ocorresse esse ano sem problemas. Em menos de sete anos, o Festival Bonbori já se tornou uma tradição local.

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Kikuchi disse que a P.A. Works está começando a "tirar um pouco a mão" em organizar esse festival. Eles diminuíram um pouco a colaboração deles com temática do anime, para que o festival possa ser aproveitado por qualquer público, e não apenas fãs do anime. A P.A. Works não sairá completamente do comitê, mas eles querem que o Festival Bonbori seja realizado principalmente pelo povo para o povo da cidade.

O Anime que você só pode assistir em Nanto


O que é a cidade de Nanto? Ela nasceu em 2004, como resultado de uma união entre oito cidades diferentes, cada uma com sua tradição local. Em um esforço para demonstrar essas culturas para visitantes e turistas, a P.A. Works produziu um pequeno anime de curtas especiais em 2013, chamado True Tours Nanto. O anime foi feito pela mesma equipe por trás de True Tears, por isso o nome parecido (dããã).

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O que é mais interessante é que esse anime só pode ser assistido em certos locais de Nanto. Ou você precisa ir em um dos prédios administrativos do governo em horários específicos para assistir o anime, ou precisa fazer download de um aplicativo gratuito e passar pelos locais da cidade em que o anime se passa.

A história do anime não é nada de outro mundo. Consiste em três histórias de amor bem curtas que seguem roteiros comuns de narrativas desse gênero. O mais interessante é a experiência de visitar os locais e ver o quanto eles foram influenciados pelo anime.

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Por exemplo, a cidade de Inami possui uma tradição local de fazer pequenas esculturas de madeira, e em um dos episódios de True Tours Nanto foca em um filho de um escultor de Inami. Na cidade da vida real, o dono de uma loja de esculturas de madeiras esculpiu pequenos sapos que foram retratados no anime.


Usar os talentos locais para criar objetos de Anime e apoiar artistas


Além das esculturas de madeira mencionadas anteriormente, outros artistas ajudaram a criar merchandise em conjunto com a P.A. Works. No estúdio há um mecha de cobre feito a mão de Kuromukoro, além de várias espadas de Sakura Quest. Todos esses itens foram feitos localmente e cheio de detalhes cuidadosos.

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Vários desses artistas eram fãs de animes mesmo antes da P.A. Works comissionarem o trabalho deles.

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Nem todos os produtos da P.A. Works são criados localmente, mas se fãs quiserem apoiar esses artistas, o site do estúdio lista as opções que são feitas por eles. 

Assinado de cidades parceiras entre Manoyama e Nanto


A cidade de Manoyama em Sakura Quest é fictícia, mas partes do local foram inspiradas em Nanto, o que significa que há uma relação forte entre essas duas cidades.

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Essa é a Estação Johana, que é idêntica a Estação Manoyama mostrada no anime.

Para concretizar o bom relacionamento entre as duas cidades, um assinado de cidades vizinhas foi feito no dia 9 de Outubro na P.A. Works. Como Manoyama não existe de verdade, um produtor na Toho Animation fez o papel de prefeito. Ele e o prefeito de verdade de Nanto assinaram o termo, e logo em seguida, houve uma apresentação de uma dança folclórica tradicional de Nanto.

Para pessoas "normais", esse ato pode ter sido só uma estratégia publicitária, de qualquer forma, uma interessante. O retrato de Manoyama em Sakura Quest não foi 100% positiva. Nanto é muito maior e mais "vibrante" do que a cidade de Manoyama é, mas o prefeito aceitou a visão que o anime colocou e assinou o termo mesmo assim.

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Após assinarem, o prefeito de Nanto anunciou que a prefeitura estava recrutando "heróis" voluntários para ajudar com a limpeza do Lago Sakuragaike, que é a inspiração para o Lago Sakura no anime. Limpar o lago não soa como algo glamoroso, mas até aí, não é como se as garotas em Sakura Quest tivessem trabalhos maravilhosos também, então a piada até que é boa.

É bem provável que essa campanha de limpeza seja um sucesso. Fãs de anime tendem a ter bastante respeito pelos locais que visitam. Mais cedo nesse ano, por exemplo, fãs de Anohana se voluntariaram para limpar uma ponte mostrada no anime. Fãs de animes querem ver o local onde seus animes foram criados em uma condição tão linda quanto as retratadas nas obras.

P.A. Works Ativismo Social
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É fácil ficar com um pé atrás quando pensamos em efeitos a longo prazo do turismo de anime. É difícil de um anime fazer um impacto duradouro quando o ciclo de produção de novas séries é tão curto... e nem todas as tentativas de coordenar anime com turismo produziram resultados satisfatórios.

Mas se há uma maneira correta de se fazer turismo de anime, a P.A. Works provavelmente é um caso de sucesso. Eles se esforçam em criar animes com um apelo único trabalhando juntamente com a população local das cidades para garantir um nível alto de fidelidade e autenticidade. E apenas para demonstrar como isso vai além do anime, a decisão do estúdio de não encorajar seus fãs a irem até o Festival Bonbori com brindes e outras coisas relacionadas ao anime, ajudou muito para que esses turistas vissem a cidade e as áreas dela como algo muito mais do que apenas o cenário de seu anime favorito.

P.A. Works Ativismo Social
P.A. Works Ativismo Social

É muito cedo para saber o impacto econômico que essas cidades vão ter a longo prazo graças ao envolvimento da P.A. Works. Mas o que interessa mesmo é que, para as comunidades locais, a P.A. Works não é apenas um estúdio de anime, e sim heróis locais de Nanto.













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