Como a Netflix está abalando e empoderando a Indústria de Anime - so que não

Como a Netflix está abalando e empoderando a Indústria de Anime - so que não



O texto abaixo é uma tradução do artigo do The Hollywood Reporter:

Apesar do sucesso global das animações japonesas, os estúdios japoneses sofrem bastante para manter uma boa saúde financeira, com muitos animadores trabalhando muitas horas por semana com salários baixíssimos. Mas os 30 títulos de anime atualmente sendo produzidos pela Netflix está agitando a indústria, mudando o modelo de negócios e dando um pouco mais de liberdade criativa a animadores.

Apesar de obras como Ghost in the Shell ou as produções de Hayao Miyazaki terem contribuído imensamente ao longo dos anos, a verdade é que os animes de TV são a espinha dorsal da indústria, com participação 10 vezes maiores do que as receitas de animações para os cinemas, que acumulam mais de 5 bilhões de dólares.

Mas o modelo de negócios não tem sido muito lucrativo para os produtores, que geralmente acabam ficando no vermelho após a exibição de suas séries na televisão. Os lucros dos estúdios vem de vendas de merchandise, mídias e trilhas sonoras. Esses produtos são, geralmente, anunciados por comerciais pagos pelos estúdios que passam durante a transmissão da série.

Vendas no exterior também são uma fonte de retorno, mas a estratégia de conteúdo original da Netflix está mudando o jogo. Recentemente, a Netflix anunciou um projeto de 12 séries originais de anime.

O gigante do serviço de stream também anunciou que terá um orçamento próximo de 8 bilhões de dólares para o ano que vem. Espera-se que uma boa fatia desse orçamento irá para séries de anime, mas nem todas delas serão produzidas no Japão, já que a Netflix tem como objetivo que metade de seu conteúdo seja original até o final de 2018. 

"Nós temos mais de 30 projetos originais de anime em vários estados de produção atualmente" - Ted Sarandos, CCO da Netflix.

Orçamento de cada projeto ainda não foi revelado, mas especula-se de que eles são significamente maiores do que aqueles oferecidos por redes locais de televisão no Japão.

A carga de trabalho em estúdios de animação é alta, e muitos deles tem uma fama ruim na mídia japonesa, justamente por oferecerem um salário precário para muitas horas de trabalho, especialmente para animadores mais jovens e iniciantes. E grande parte disso acontece pelo orçamento baixo, imposto pelas redes de televisão.

"Ultimamente, a mídia tem atacado a indústria de anime a respeito das condições de trabalho; e muitos estações de TV estão reportando esse assunto, quando na verdade eles são um dos grandes culpados" - Joseph Chou, produtor da Toei Animation.

"Netflix está resgatando um modelo saudável de negócios. Estamos olhando para algo como uma margem de 15% em vez de 5% de prejuízo" - complementou Chou, que também é presidente do Estúdio Sola Digital Arts no Japão.

Apesar da Netflix não ser a única plataforma de streaming do bairro, ela é a maior. "Há Netflix, Amazon, Crunchyroll e Apple Studios, todos estão em negociação, assim como rumores de outro grande nome prestes a ser envolvido. Todos eles estão se mexendo para conhecer todos da indústria, mas a Netflix é a mais agressiva" - finalizou Chou.

"Netflix está produzindo versões dubladas em várias línguas e mais de 20 idiomas diferentes nas legendas, com lançamento para mais de 200 países, coisas que não conseguíamos fazer" - explica Kotaro Yoshikawa, vice-presidente de distribuição e licenciamento na TMS Entertainment.

O fato da Netflix fazer o pedido diretamente para os estúdios de animação também elimina a necessidade dos famosos comitês de produção, algo já inserido e instalado na indústria japonesa quando há um projeto de filme e séries. Com envolvimento de 5 até 15 empresas, os comitês ajudam a compartilhar os custos e riscos, além de dar a agências de publicidade, estações de TV e até jornais um pedaço do sucesso da produção, como um incentivo para promovê-las. O lado negativo é a burocracia e a lentidão na tomada de decisão e uma diminuição considerável da liberdade criativa pela necessidade de uma aprovação de todos os lados.

"Não há uma estação de TV envolvida te dizendo o que precisa ser feito para ser "aceitável" de ser transmitido" - disse Yoshikawa sobre a Netflix. "Apesar que, obviamente, alguns pequenos ajustes ainda são requisitos, como reduzir quantidade de sangue nas versões que serão transmitidas nas televisões."

O mais interessante disso é que nem todos da indústria estão animados com a possibilidade de um controle criativo maior. Keiichi Hara, diretor de Sarusuberi: Miss Hokusai, disse que consideraria uma oferta da Netflix, mas com algumas preocupações.

"Eu trabalho em produções comerciais, então inevitavelmente eu recebo instruções de empresas como redes de televisão, principalmente sobre a história e etc. Quando eu era jovem, eu costumava ficar bravo com isso. Mas trabalhar maneiras para deixar essas pessoas felizes tem sido minha fonte de vir com ótimas ideias" - relatou Hara. "Esse tipo de pressão na verdade me ajuda a ser criativo, de uma certa forma".

Os pedidos por conteúdo original da Netflix e outras plataformas de stream, além do crescimento absurdo da demanda na China, combinado com a escassez de animadores, tem o apoio de estúdios de animação.

Chou: "Não chega a ser uma bolha ainda, mas quase todos os estúdios estão lotados até 2020."


Hoss:

O fato engraçado desse artigo, é que animadores japoneses levantaram uma hashtag no Twitter informando que seus salários não mudaram nada ainda com a entrada da Netflix, é fato que a Netflix paga muito pelos animes, mas isso está longe de de fato ajudar os animadores.

Sobre a parte em que diz abolir o sistema de Comitês de Produção, é algo que eles levantaram na hashtag como sendo difícil ainda, nem tão cedo comitês de produção irão desaparecer.

Hoje aprendemos uma lição, o que um produtor fala não necessariamente vale para toda a indústria.

Hashtag aqui












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