Entrevista com Atsumi Tanezaki, dubladora de Chise Hatori

Entrevista com Atsumi Tanezaki, dubladora de Chise Hatori




Apesar de ser jovem na indústria, a dubladora Atsumi Tanezaki já possui um currículo impressionante. Recentemente, ela dublou Chise Hatori na adaptação em anime Mahou Tsukai no Yome.

Entrevista com Atsumi Tanezaki, dubladora de Chise Hatori

Essa entrevista realizada pela Yatta Tachi contém spoilers leves da segunda temporada de Sound! Euphonium.

- Para começar, a primeira pergunta é: como Chise Hatori em Mahou Tsukai no Yome, você teve alguma dificuldade ou desafio no papel que achou interessante?

O relacionamento entre Chise e Elias Ainsworth muda levemente com o passar do tempo. O dublador de Elias, Ryouta Takeuchi, e eu tivemos que nos questionar coisas como "O quão distante eles estão nesse momento?", "Como está o relacionamento deles agora?", "O quão próximos eles estão durante as nossas gravações?". Isso foi um pouco complicado de descobrir.

A parte interessante é que houve vários membros do elenco que ainda não haviam sido anunciados. Ser capaz de atuar e conversar com eles é algo emocionante.

Entrevista com Atsumi Tanezaki, dubladora de Chise Hatori

- Você chega a reassistir o anime após ele receber uma dublagem em inglês ou outras línguas?

Na verdade, ainda não assisti nenhuma dessas versões. Mas já fizemos uma visita a Funimation e eles nos mostraram um pouco dos animes dublados em inglês.

- Durante sua carreira, houve algum momento onde você se encontrou em grandes dificuldades, e como você superou?

A resposta pode ser um pouco longa.

- Sem problemas!

Levou bastante tempo antes de eu finalmente conseguir fazer minha estreia. Mas mesmo após minha estreia, eu não recebi nenhum trabalho para dublar anime, que é o que eu mais queria fazer. Então eu me ocupava fazendo jogos, dramas em CD, e outros papéis pequenos. Eu tinha sorte se conseguisse dois ou três trabalhos por mês. Eu tive que trabalhar em meu trabalho de meio período e descobrir quando eu conseguiria ter esses dos ou três trabalhos de atuação no mês.

Balancear essas duas vidas foi bem difícil porque eu não tinha como prever a minha agenda. Eu não estava sendo bem remunerada, então sempre me faltava dinheiro. Houve vários momentos onde eu pensei em simplesmente desistir de tudo. Mas eu realmente queria ser uma dubladora. Mesmo que eu tivesse apenas dois ou três trabalhos por mês, tem pessoas que estão assistindo esses trabalhos! Até que eu recebesse uma oferta de anime, eu continuei dando o meu melhor e trabalhando bastante. Então eu superei isso por pura força de vontade.

- E deu resultado!

Risos.

- Mahou Tsukai no Yome possui algums momentos tocantes e fofos. Tem alguma cena do anime que você tenha gostado mais, ou pelo menos alguma que já foi transmitida? (Pode citar alguma do manga também).

Como eu disse antes, meu relacionamento com Elias é muito importante. Os momentos onde o relacionamento muda levemente são as minhas cenas favoritas. No manga, tem essa cena onde eles estão fazendo a equipe de Chise. Elias e Chise estão distantes nesse momento. Chise queria correr e voltar para Elias, então ela usou sua magia para voar de volta. Eu amei essa parte! Eu realmente queria ver isso no anime!

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- Você cresceu assistindo anime? Se sim, há alguma série ou personagem em particular que você adoraria dublar?

Quando eu era pequena, eu amava bastante Sailor Moon. Minha voz pode não encaixar bem na personagem, mas se eu pudesse, gostaria de dublar a Sailor Uranus!

- Como você entrou na indústria? Sabemos que existem escolas de dublagem no Japão; você frequentou alguma?

Eu frequentei uma escola de dublagem, mas por eu morar em uma área mais rural no Japão, precisei me mudar para Tokyo para frequentar as aulas. Minha família não tinha muito dinheiro. Antes de eu ir para a escola, eu precisei economizar bastante com o meu trabalho. Após isso, eu abandonei meu emprego integral para pegar um de meio período e conseguir fazer minhas aulas.

- Foi por conta desses empregos o motivo pelo qual sua estreia demorou um pouco?

Se eu tivesse mais dinheiro, talvez eu fosse capaz de ter começado meus estudos mais cedo. Mas não dá para garantir que eu fosse conseguir algum trabalho de dubladora!

- Você leu o manga de Mahou Tsukai no Yome e a novel de Sound! Euphonium antes ou depois de conseguir o papel?

Eu li Sound! Euphonium depois de conseguir o papel. Já Mahou Tsukai no Yome, eu li depois de ter sido chamada para a audição. Mas sempre foi uma série que eu ficava olhando a capa e pensando "Isso parece muito interessante! Eu quero muito ler isso." Quando eu consegui a audição, foi um motivo a mais para comprar a série toda, e eu fiz!

- Com o novo filme anunciado de Sound! Euphonium focado em Mizore Yoroizuka, o que você espera nesse retorno ao papel?

Na verdade, eu ainda não sei nada sobre a história entre Mizore e Nozomi Kasaki do filme até agora. Mas no anime, após Mizore e Nozomi se acertarem, eles mudam o foco para Asuka Tanaka e Kumiko Oumae. Eles não mostraram nada sobre Mizore e Nozomi após aquilo. Estou bem ansiosa para as interações que elas terão.

- Eu me lembro da cena onde elas estavam reatando. Foi tão impactante que eu comecei a chorar. Aquela cena foi muito boa.

Os desenhos e imagens da Kyoto Animation estavam fantásticas! Eles criaram imagens que transmitem facilmente as emoções e a direção foi ótima também.

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- Dentre todos os papéis que você já fez, há algum que deixou um impacto grande em você, e o que você mais gostou no personagem em questão?

Essa é a primeira vez que me perguntam isso. Eu atuei em Hozuki no Reitetsu como Karashi, uma coelho. Eu já fiz várias vozes para animais antes, como cachorros e gatos. Essa foi a primeira vez em que eu dublei um animal que fala tanto e tinha tanto diálogo. Aliás, essa série também está disponível como manga. Quando eu estava lendo o manga, na minha cabeça, havia apenas uma maneira em que eu "escutava" esse personagem. Eu fui capaz de incorporar ele rapidamente e criar uma voz que encaixasse bem. Então, a mangaka Natsumi Eguchi, me disse que a voz era exatamente como ela imaginava.

- Imagino que isso seja algo bom de se ouvir sempre.

Se você assistir, vai perceber que Karashi possui um modo fofo e outro sombrio. (Demonstrando a voz fofa de Karashi) Esse é o modo fofo. (Demonstrando a voz sombria de Karashi) Esse é o modo sombrio. Foi tudo bem memorável para mim porque eles confiaram em mim para fazer o que eu quisesse. E eu amei o visual de Karashi. Ela é muito fofa.

- Qual foi uma das cenas ou momentos mais memoráveis que você já teve enquanto gravava?

Em Zankyou no Terror, Lisa Mishima, a personagem que eu dublei, não é uma personagem que fala muito mas possui muita respiração que precisava ser gravada. Dublar respiração requer o uso do diafragma, e por conta disso, as vezes era possível ouvir um pouco do ronco do meu estômago. Se esses roncos são captados pelo microfone, eles viram barulho extra. É claro que o diretor, Shinichiro Watanabe, ouvia tudo. E eu dizia toda hora "Meu estômago roncou de novo! Me desculpe!", no qual Watanabe sempre respondia que esse meu jeito desajeitado acabou refletindo bastante na Lisa porque ele via isso demais em mim.

No começo, Lisa era uma personagem bem séria, mas por volta do episódio 4 ou 5, eu notei que ela mudou um pouco. Eu mencionei isso ao diretor e ele disse que isso foi influenciado por quem estava dublando ela... pois é, coisas como essas acontecem. Isso foi bem memorável para mim. No entanto, isso só aconteceu provavelmente porque Zankyou no Terror era um anime original, e por isso era possível fazer algumas mudanças. Se fosse baseado em uma obra, ele não poderia fazer isso. Eu gosto de acreditar que ele fez isso porque o diretor está sempre mirando para tornar a obra melhor.

Entrevista com Atsumi Tanezaki, dubladora de Chise Hatori

- Por último, quem são as três pessoas que mais te inspiram a fazer o que você faz.

Essa é uma pergunta difícil!

- Nós sempre recebemos essa resposta.

Eu quero responder direito! Três pessoas, né? Eu tenho uma gata (depois ela comentou que o nome dele é Celeb, diminutivo de Celebrity/Celebridade). Todo dia eu penso em como serei capaz de alimentar ela, e isso acaba me inspirando a dar o melhor de mim.

- Nova frase: Eu trabalho duro para que meu gato possa viver feliz e tranquilo.

Em Zankyou no Terror, teve um dublador que eu respeito muito que fez o papel de Kenjirou Shibasaki, chamado Sunsuke Sakuya. Desde que trabalhei com ele, sempre penso nele como um tipo de mentor. Sua atuação foi tão incrível, mas ele também é uma ótima pessoa. No começo de nossas gravações, os quatro atores principais, Kaito Ishikawa, Shunsuke Sakuya, Saito Soma e eu, além de Megumi Han, tivemos momentos bem complicados. Shunsuke era mais cuidadoso com nós por sermos mais novos na época. Quando fazíamos algo de errado, o que era comum por se tratar de uma obra séria e uma atmosfera tensa no estúdio, ele dizia "não precisa ficar nervosa assim, aja normalmente". Ele fazia a gente se sentir bem nesses momentos.

Agora para a terceira e última pessoa... Ah, você conhece Akitaro Daichi? Ele faz séries no canal NHK no Japão como Ojarumaru, Kodomo no Omocha, Bokura ga Ita e Gyagu Manga Biyori. Enfim, ele dirigiu várias séries de comédia e é um diretor veterano no Japão. Eu amo o gênero e assisti seus trabalhos quando estava crescendo, como Ojarumaru. Eu gosto das pausas que ele coloca nos momentos de comédia. Ele conseguia fazer personagens dizerem coisas horríveis mas parecerem fofos. De alguma forma, não tinha como não amar eles.

Apesar dele fazer comédia, ele era muito bom em fazer você chorar. Acho que ele é um gênio capaz de dirigir séries engraçadas mas com ótimas histórias. Eu preciso pensar em vários elementos de comédia para meus personagens, como Tome Kurata em Mob Psycho 100 e Mayu Arita em Death Parade. Daichi influenciou a comédia em mim, que eu indiretamente acabo usando em meus personagens. Então, são essas as três pessoas.

- Parabéns! Muito obrigado!

Obrigada!

Nota: Essa entrevista foi traduzida e levemente adaptada para facilitar o entendimento.












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