Japão - Loja Fantasma funcionou sem funcionários e produtos por 2 meses

Japão - Loja Fantasma funcionou sem funcionários e produtos por 2 meses





O dono dessa franquia de conveniência, Lawson, não ficou nada contente com essa situação

Uma loja não pode funcionar sem funcionários e muito menos sem produtos para vender. São dois requisitos mínimos para que seja categorizada como uma loja. Mas e se uma loja decide ignorar isso? E se ela se recusar a se fechar mesmo sabendo que ninguém está administrando e que suas prateleiras estão vazia?

Pois é, isso aconteceu em Kakamigahara, na província de Gifu. Uma mulher e seu acompanhante estavam dirigindo pelo local, quando eles tiveram o desejo de comprar cigarros. Ao avistarem a placa de uma das franquias de conveniência mais populares e confiáveis por lá, mais conhecida como Lawson, eles decidiram entrar.

Japão - Loja Fantasma funcionou sem funcionários e produtos por 2 meses
Essa é uma foto do local em 2015, muito antes dessa história acontecer.

No entanto, ao entrarem no local, eles ficaram surpresos ao verem que as prateleiras estavam praticamente todas vazias. Havia somente algumas bebidas espalhadas, chicletes e balas, e uma quantidade razoável de acessórios para banheiros. Os banheiros da loja estavam bloqueados por uma estante vazia e com uma nota escrita a mão: "Fora de Serviço: Os banheiros masculinos e femininos estão indisponíveis."

Os dois tentaram chamar algum funcionário por várias vezes, mas ninguém respondeu ou apareceu. Não havia nenhum som de fundo de pessoas trabalhando ou conversando na loja também. A loja estava completamente vazia, mas as portas estavam abertas e as luzes ligadas 24 horas por dia.


De acordo com o site da Lawson, naquele dia, a loja ainda estava listada como parte das 10.000 lojas de conveniência espalhadas ao redor do Japão. Por outro lado, há relatos de consumidores no Twitter sobre essa loja "fantasma" desde dezembro do ano passado.

    ローソン 各務原鵜沼東町いつ行っても品薄。閉まるのか?って思いつつ閉まる気配はない。店に入ってもいらっしゃいませ言わないし、まず店員の姿がない。異様な光景。
    —
    メガスピ (@treywestboy) December 01, 2017

"Toda vez que eu vou na Lawson em Unuma Higashimachi, Kakamigahara, há uma falta de produtos. Parece que eles estão prestes a fecharem as portas, mas não há nenhuma placa ou aviso de que está fechado. E quando você entra dentro da loja, ninguém está lá para te recepcionar, aliás, não existe ninguém lá. É muito estranho."

Sem dúvida se trata de um fenômeno peculiar, mas a J-Cast News investigou o assunto e descobriu os motivos disso. De acordo com a investigação deles, assim como a maioria de grandes franquias, a Lawson vende sua marca e sua fórmula de negócios para pessoas independentes que queiram administrar uma franquia e tenham a verba necessária para entrar no negócio.

Como parte do Contrato de Franquia, o franqueado é obrigado a notificar a matriz da Lawson, com pelo menos seis meses de antecedência, de que ele tem o desejo de fechar as portas. Essa franquia em Kakamigahara notificou o desejo de encerrar os serviços em Setembro de 2017, o que significa que a loja fecharia as portas em definitivo em Março desse ano.

Até ai tudo bem, certo? Em algumas circunstâncias, a franquia e o franqueado podem chegar a um acordo e fechar a loja ainda antes desses seis meses. No entanto, o dono da loja disse que queria continuar operando a loja até o seu fim.

Estranho não? Por que alguém que anunciou o desejo de encerrar uma loja gostaria de continuar tocando ela por mais seis meses?

Porém, no final de 2017, na mesma época em que os relatos da loja "fantasma" começaram, a matriz da Lawson percebeu que o dono parou de solicitar novos estoques para a loja. Isso nos traz ao fator chave dessa investigação.

Para evitar que a loja tenha um desempenho catastrófico, o que pode acabar arruinando a imagem da Franquia como um todo, a Lawson fornece o "saitei hoshou" (garantia mínima), que nada mais é do que uma "mesada" que é dada aos franqueados, independente de suas vendas, para que os salários dos funcionários continuem sendo pagos e as prateleiras preenchidas para manter a boa imagem ao consumidor... duas coisas que a loja em Unuma Higashimachi parou de fazer.

Isso significa que o "saitei hoshou" estava indo 100% para o bolso do dono da loja, contanto que ele mantivesse ela funcionando nem que da pior forma possível até o término do contrato. Foi um plano engenhoso, a nível de corrupção brasileira, e que provavelmente teria funcionado se não fosse por esses relatos de usuários intrometidos do Twitter e esse cachorro!

Desde então, o franqueado e a Lawson entraram em negociações para fechar de vez a loja, e a empresa publicou uma nota de desculpas aos residentes de Kakamigahara pela inconveniência que esse incidente trouxe. Eles também disseram que vão rever essas cláusulas de contrato para prevenir que casos bizarros como esse acontecesse novamente.

Tecnicamente, é provável que o franqueado tenha explorado as cláusulas de contrato e portanto não fez nada de "ilegal", mas não deixa de ser completamente anti-ético e expõe uma falta de caráter incrível, algo que eu sinceramente não esperaria de um dos países mais educados do planeta.

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