Entrevista com o produtor e diretor de IDOLiSH7

Entrevista com o produtor e diretor de IDOLiSH7





Preparado para mais idols? IDOLiSH7 é um jogo mobile de gênero musical sobre idols garotos, que lançou em 2015, e agora recebe uma série própria de anime com 17 episódios, com a previsão de estreia para janeiro de 2018. Mas se você estiver com pressa, os dois primeiros episódios já estão disponíveis no Crunchyroll. É a última aposta de idols da Bandai, responsável pelo sucesso absurdo de Love Live!, então era óbvio que uma hora eles iriam expandir esse conceito para os idols garotos. Nessa entrevista com o produtor, Sokichi Shimooka e o diretor, Makoto Bessho, conduzida na AnimeNYC, eles nos contam mais sobre o último projeto deles e os motivos pelo qual aceitaram essa nova direção em suas carreiras.

Entrevista com o produtor e diretor de IDOLiSH7


Entrevista com o produtor e diretor de IDOLiSH7

- Como vocês se envolveram nesse projeto IDOLiSH7?

Shimooka: Desde o início, quando eu estava na Bandai Namco Online, esse projeto é tipo um fruto dos meus pensamentos. Sendo uma empresa de jogos, estávamos interessados em smartphones, que é a atual plataforma popular. No Japão, por volta de 2014, smartphones ainda eram algo relativamente novo. Então, nosso objetivo era colocar uma nova propriedade intelectual no mercado e pensamos que o ideal seria de colocá-lo em um smartphone. Mais ou menos por volta dessa época, a indústria era focada em idols garotas focada para uma audiência masculina, então, ao ver isso, estabelecemos que essa propriedade intelectual focaria mais para o público feminino. Foi daí que começamos, e desde então, eu tenho sido o produtor de IDOLiSH7.

Bessho: Eu fiquei meio que surpreso, porque eu não tinha certeza se eu era o cara que eles procuravam para o trabalho, mas ao mesmo tempo, eu queria fazer parte do projeto.

- Qual foi sua primeira impressão de jogos mobile?

Bessho: Quando a ideia de uma versão anime do jogo IDOLiSH7 surgiu, pessoas me disseram: "Jogue o jogo!". Eu não sou muito "gamer", mas quando joguei, eu fiquei surpreso com os aspectos dramáticos, com o enredo. Eu achei a história algo bem interessante no jogo.

Shimooka: Nós fazemos jogos com foco nos cenários. Apesar de ser de gênero musical, você não precisa jogar muito para poder prosseguir na história. Houve um certo desconforto do time porque parte de nós sentia que, já que se trata de gênero musical, deveríamos nos focar mais no gameplay. Mas outros acreditaram que não havia problemas pois colocamos uma grande profundidade na história. Foi um lançamento de jogo meio desconfortável, mas depois, ficamos felizes porque tivemos um retorno positivo das pessoas que jogaram. Eu acredito que isso nos manda uma mensagem muito positiva sobre o que conseguimos realizar.

Entrevista com o produtor e diretor de IDOLiSH7

- Um anime como esse tem aspirações de se sustentar por conta própria, ou ele foi criado para agradar principalmente os fãs do jogo? Alguém que nunca jogou o jogo irá conseguir desfrutar do anime?

Shimooka: Como o anime é bem fiel ao jogo original, com certeza vai ser algo agradável para os fãs do jogo. Mas isso não significa que ele não agradará públicos novos. Ele será ótimo tanto para pessoas que já conhecem o jogo quanto para quem está conhecendo a história pela primeira vez. Se você assistir os dois primeiros episódios do anime, vai ver que eles foram muito bem feitos, e acredito que isso seja fruto do trabalho do Bessho-san. Mas sem dúvida esse é um ponto chave para nós: ser capaz de equilibrar o gosto das pessoas que já conhecem o jogo IDOLiSH7 e pessoas que estão vindo pela primeira vez já no anime.

Bessho: Nós não acreditamos que será sempre efetivo adicionar conteúdo original ao anime. Às vezes será, às vezes não. O que eu valorizo nesse momento, assim como Shimooka-san disse, é fazer algo que ambos os públicos possam desfrutar. Isso é algo que eu realmente prezo e estou focado no momento.

- Qual elemento você diria que é o mais importante ao adaptar um jogo mobile para anime? É a história? Os personagens? Alguma outra coisa?

Bessho: Depende do que o conteúdo é, mas se tratando de IDOLiSH7, acredito que ele já possui uma boa história. O que nós gostaríamos de adicionar é um pouco de profundidade nas coisas que o jogo não é capaz. Por exemplo, fazer as pessoas que já conhecem a história ou a cena dizer "Ah, então era assim que eles queriam que fossem essa cena". Quanto a isso, o anime abre um leque de possibilidades muito maior em termos de profundidade e expressão de personagens. O que nós queremos mostrar é o que os consumidores do jogo querem ver.

Shimooka: Eu acredito que algo divertido é algo que possa ser assistido várias e várias vezes e ainda assim ser divertido. Então, partindo desse princípio, acredito que mesmo as pessoas que já jogaram o jogo e sabem como a história vai acontecer, ainda irão querer assistir e reassistir várias vezes. Se você ainda não jogou o jogo, eu lhe garanto que você irá gostar tanto do anime quanto do jogo.

Entrevista com o produtor e diretor de IDOLiSH7

- Criativamente falando, quais foram os maiores desafios ao se adaptar um jogo mobile para anime?

Bessho: Se você viu o episódio 2, provavelmente sabe que há uma cena ao vivo. Essa foi a primeira vez que fizemos direções de palco para um anime. Geralmente, uma cena onde há uma perfomance ao vivo, há vários cortes de imagem. Nós não usamos nenhum corte. Queríamos passar a sensação de realmente ser um show ao vivo para o espectador. Isso é algo que eu decidi desde o início, e não me arrependo, mas provavelmente deve haver uma maneira mais fácil de se fazer isso. Acredito que o que fizemos em IDOLiSH7 é algo bem inovador.

- Na sua lista de créditos, há muitas séries de ação, drama e ficção científica... mas não muitos outros shows como IDOLiSH7! Você tirou a inspiração ou influência de IDOLiSH7 de algum outro trabalho que você participou?

Bessho: Foi uma experiência totalmente diferente. Pessoalmente, eu não fui capaz de trazer muita inspiração de trabalhos antigos. Recentemente, eu trabalhei em Uchū Senkan Yamato (Patrulha Estelar) e Shingeki no Kyojin. Não acredito que consegui trazer algo de lá para isso.

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- Você tem algum outro exemplo de anime que acha realmente bom? Algo que você tenha se inspirado recentemente?

Bessho: Pra ser sincero, eu não assisto mais tanto anime. Então não sou capaz de dizer que retirei inspirações de alguma obra. Mas eu assisti vários DVDs de perfomances ao vivo! Eu observei o tipo de iluminação que eles usavam, as roupas e etc. Disso eu tirei inspiração!

- Várias das obras que você trabalhou no passado tinham o público masculino como alvo. IDOLiSH7 é voltado mais para as mulheres. Essa foi uma mudança radical para você, no aspecto criativo? Houve diferenças na sua abordagem e forma de trabalhar?

Bessho: Como o público alvo é bem diferente do que eu estava acostumado, eu diria que públicos diferentes requerem abordagens diferentes. Eu tratei disso como algo que fosse mais voltado para jovens, e portanto, eu deveria pegar ideias de pessoas mais jovens... mas no fim, eu sou o encarregado do trabalho. "Essa é a minha oportunidade", foi o que eu pensei. Eu posso não ser Deus ou uma entidade divina, mas eu acabei sendo o diretor desse anime e essa é a oportunidade perfeita para testar minha capacidade.

- Eu realmente gostei da forma em como você animou a sequência de danças no final do episódio 2. Como você se sente sobre usar atores CG e como você equilibrou bem isso com elementos tradicionais de animação?

Bessho: Pessoalmente não tenho nada contra o uso de CG e acredito que capturamos bem os movimentos. Mas há pontos positivos e negativos tanto para a animação em CG quanto a tradicional. Nós queríamos os pontos fortes dos dois lados, porque há coisas onde o CG supera a animação tradicional e vice e versa. Tentamos equilibrar bem o uso dos dois e fazer uma cena perfeita.

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- Um projeto como esse é considerado como um risco, ou um investimento seguro?

Shimooka: Sim, eu pensei que fosse um risco! Basicamente, quando começamos, a análise de mercado revelou que o mercado de jogos por aplicativo era um risco. Mas ao mesmo tempo, acreditamos que quem não arrisca, não petisca. Sem se arriscar, não podemos inovar.

- Pode nos contar um pouco sobre suas tarefas como produtor executivo de um anime como IDOLiSH7? Qual sua responsabilidade primária?

Shimooka: Garantir a qualidade do anime. Garantir a diversão dos fãs. Acredito que essas sejam as maiores responsabilidades. Queremos ter uma nova propriedade intelectual no mercado e uma nova experiência para os nossos fãs. Essa é a minha missão.

- O que você pensa sobre o atual ambiente de trabalho e negócios de anime? Você acha que vivemos numa bolha, e essa bolha é potencialmente perigosa para a indústria?

Shimooka: Se é uma "bolha" ou não, não sei dizer. Mas acredito que uma nova era está chegando. É definitivamente uma nova era onde algo que é bom será considerado como melhor do que algo que não é tão bom. Acredito que nesse momento, a indústria de anime está tendo dificuldades em ser uma indústria de "apenas anime", então é realmente a sobrevivência do mais forte.

- O quão importante são os animes de jogos mobile para o futuro dos negócios?

Shimooka: A respeito disso, acho que depende do que for o jogo. Eu digo isso porque jogos são uma forma de entretenimento bem diferente de um anime. Para jogos, você precisa estar fisicamente movendo suas mãos ou pensando em coisas para conseguir progredir, é uma forma de entretenimento ativa. Já anime, é uma forma de entretenimento passiva, pois você não precisa mover suas mãos ou pensar muito, tudo está vindo em sua direção e alimentando sua mente. Então, obviamente, fãs de diferentes tipos de mídias não são iguais. Para um jogo ser capaz de atingir novos públicos e captar pessoas que estão acostumadas com outras formas de entretenimento, é algo muito benéfico. Acredito que um jogo mobile que foque no desenvolvimento de seu próprio universo e história, terá uma transição muito mais tranquila para anime e, consequentemente, seus fãs.


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